29 de jul de 2016

O PLANO DE SALVAÇÃO


No Jardim do Éden, antes do pecado original, Deus estabeleceu com Adão o pacto das obras, que consistia na prestação da perfeita obediência - Gn 3.15-17. Esse pacto estabelecia que Adão e Eva, no gozo do livre arbítrio, poderiam tomar e comer de todos os frutos do jardim, porém, não deveria tocar no fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O pacto das obras trazia consigo a mensagem de vida santa e feliz, contudo, estabelecia a dura sentença de morte no caso da desobediência ao criador. Eva, movida pela cobiça, deu crédito à mentirosa serpente, tomou do fruto proibido e comeu; deu ao seu marido e ele também comeu. O Homem pecou. Errou o alvo estabelecido por Deus, foi reprovado no teste da perfeita obediência. Por isso, passou a conhecer a morte e foi expulso do jardim do Éden.
O adão histórico, velho adão ou primeiro adão, foi o cabeça federativo e representante da raça humana na queda. Com Adão caiu toda a raça humana. O pecado tornou-se de caráter universal. Diz a Bíblia: ...assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Rm 5.12. ... pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores. Rm 5.19. Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Sl 51. 5. Diante dessa triste situação duas questões giram latentemente em nossas consciências: Deus, sendo onisciente não sabia que o homem pecaria? A essa pergunta a resposta é sim. Segunda, porque Deus não evitou que o homem pecasse? A essa pergunta a resposta é não sabemos.
Contudo, Deus não estava alheio à situação do homem. Concebeu, desde toda eternidade, segundo o conselho da sua vontade, o plano de salvação, que se torna exequível no Pacto ou Aliança da Graça. Nesse pacto, o Filho, o mediador da Nova Aliança, o novo ou segundo adão, nosso representante na redenção, se propõe a submeter-se ao Pai em perfeita obediência para a satisfação plena da justiça divina. O Filho, “se colocou no lugar do pecador e incumbiu-se de fazer a expiação do pecado, suportando o castigo necessário, e de satisfazer as exigências da lei em lugar de todo o seu povo,” Louiz Berkhof – Manual de Doutrina Cristã – p. 140. O parecer dos reformadores é que “prouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado”. Confissão de Fé de Westminster, Cap. VIII, Inciso I. O profeta Isaias proclamou que Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Is 53.4-5. O apóstolo Paulo, bem explícito no ensino da redenção, disse que Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Rm 5.8;... a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Rm 5.21. O próprio senhor Jesus fala de si mesmo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. Jo 5.24. Completa seu o eterno propósito do Pai em enviá-lo ao mundo, em um dos mais clássicos e conhecidos versículos bíblicos: Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Jo 3.16




Cleuso Nogueira, Pastor da Igreja Presbiteriana José Manoel da Conceição – JANDIRA SP.

7 de jan de 2016

CRISTO CUMPRIU OS 10 MADAMENTOS



Por Mark Jones

Adão quebrou os dez mandamentos no Éden. Mas Cristo guardou os dez mandamentos no “deserto”, sob circunstâncias muito mais intensas do que aquelas às quais Adão foi submetido.
Guardou o primeiro mandamento. Ele trouxe glória a Deus o Pai enquanto esteve na terra (Jo 17.4). Temeu, creu, e confiou em seu Pai (Hb 2.13; 5.7; Lc 4.1-12). Cristo zelou pela glória de seu Pai (Jo 2.17) e foi constantemente grato ao seu Pai (Jo 11.41). Ele prestou completa obediência ao Pai em todas as coisas (Jo 10.17; 15.10).
Guardou o segundo mandamento. Ninguém jamais cultuou como Cristo (Lc 4.16). Ele leu, pregou, orou e cantou a Palavra de Deus com um coração puro (Sl 24.3-4). Ele condenou o falso culto (Jo 4.22; Mt 15.9). Além disso, aquele que era a imagem visível de Deus não precisou fazer imagens ilícitas de Deus.

Guardou o terceiro mandamento. Como portador da imagem de Deus (Cl 1.15), ele revelou o Pai de modo perfeito (Jo 14.9). Falou somente aquilo que havia recebido do Pai (Jo 12.49). Em outras palavras, ele jamais tomou o nome de Deus em vão, mas falou apenas a verdade sobre o Pai e trouxe glória ao Pai por viver em conformidade com quem ele é (o Filho de Deus).

Guardou o quarto mandamento. “Entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga…” (Lc 4.16). Ele fez obras de piedade, misericórdia e necessidade no dia de descanso (e.g.: Mc 2.23-28). Além disso, o Senhor do Sábado assegurou nosso sabá eterno por meio de sua morte na cruz, permanecendo no sepulcro no sábado, e ressurgindo no domingo.

Guardou o quinto mandamento. Ele sempre fez aquilo que agradava a seu Pai celestial (Jo 8.29). Sobre a cruz, mesmo enquanto estava morrendo, preocupou-se em cuidar de sua mãe (Jo 19.27). Ele também guardou as leis terrenas (Mc 12.17; Mt 17.24-27).

Guardou o sexto mandamento. Jesus preservou a vida. Ele fez isso física e espiritualmente. Ele salvou pecadores de seus pecados (Jo 5.40). E também curou muitas pessoas (Mt 4.23). Foi manso, gentil, amável e pacífico enquanto esteve na terra (e.g.: Mt 11.29). Sua vida foi de misericórdia e compaixão (e.g.: Lc 18.35-43).

Guardou o sétimo mandamento. Cristo, o marido, entregou sua vida por sua noiva (Ef 5.22-33). Embora eu não tenha dúvidas de que ele achava algumas mulheres atrativas, ele jamais cruzou os limites adequados com respeito à interação entre homens e mulheres, e seus pensamentos sempre foram puros com respeito a pessoas do sexo oposto (cf. 1Tm 5.2).

Guardou o oitavo mandamento. Cristo doou livremente (Jo 2.1-11). Ele se opôs ao roubo (Jo 2.13-17). João 2 retrata, entre outras coisas, Cristo guardando o oitavo mandamento. Aquele que era rico se tornou pobre para que nós, em nossa pobreza, pudéssemos nos tornar ricos (2Co 8.9).

Guardou o nono mandamento. Ele sempre falou a verdade (Jo 8.45-47) porque falou somente as palavras que o Pai lhe havia dado (Jo 12.49). Ele defendeu a verdade porque ele é a Verdade (Jo 1.14, 17; 14.6). Ele não maquiou a verdade (Mt 23), não a falou fora de tempo ou a sonegou (Mt 26.64).

Guardou o décimo mandamento.  Aquele que é dono do céu e da terra é aquele que também disse: “As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9.58). Aquele que poderia facilmente saciar sua própria necessidade e desejo contentou-se com aquilo que vinha da mão do Pai (Lc 4.1-12). Ele não cobiçou aquilo que não era propriamente seu, mas com paciente resistência recebeu sua herança por meio da cruz.

Nos círculos reformados devemos, em nossa pregação, fazer um melhor trabalho em explicar como Cristo guardou perfeitamente a lei. Uma coisa é dizer e sempre repetir: “Jesus guardou a lei perfeitamente por nós [como um pacto de obras] para que pudéssemos ser salvos”; mas outra coisa é explicar precisamente como ele guardou a lei e o que estava envolvido nessa guarda da lei. Ouvir sobre a obediência ativa de Cristo e sobre a imputação gratuita de Deus a nós, por meio da fé, dessa obediência ativa, não deve nunca ser algo que se resuma a frases de efeito.


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Fonte: Christ Kept the 10 Commandment traduzido por Márcio Santana Sobrinho no Monergismo

23 de nov de 2015

Samuel apareceu a Saul? A pitonisa era "médium"?

Por 

Duas perguntas se destacam no controvertido episódio da Pitonisa de En-Dor, descrito em 1 Sm 8.19-20): 1. Samuel realmente apareceu a Saul? 2. Existe uma explicação bíblica para a mediunidade?

Os seguintes pontos são básicos para um entendimento sobre o assunto:

1. At 16.16 e Dt 13 são passagens que mostram que a Bíblia reconhece que Satanás utiliza pessoas com esse propósito de "intermediar" o oculto.

2. No entanto, esse meio de suposta “aquisição de conhecimento espiritual” é vedado por Deus (Dt 18.9-14). Em Dt 13.2-5 maior importância é dada à revelação prévia recebida (v. 4), como meio de comunicação de Deus ao homem, do que aos fenômenos e maravilhas porventura realizadas por agluém. A revelação escriturada (a Palavra de Deus) é a fonte confiável e está em harmonia com essa diretriz. Ela é o conjunto de revelação dada por Deus às pessoas

3. Is 8.19-20 mostra que o caminho certo de se prescrutar a vontade de Deus é a consulta à Palavra de Deus ("à Lei e ao Testemunho"), e não aos médiuns e advinhos.

4. Temos várias condenações adicionais a consultas aos médiuns, em Lv 19.31; Ex 22.18 e Lv 20.6.

5. No episódio da Pitonisa de En-Dor, pode ter existido uma manifestação de Satanás (2 Co 11.14), como pode ter havido um embuste da parte daquela que se propunha a invocar os mortos. Nesse sentido, leia com atenção 1 Sm 28.14: “... entendendo Saul que era Samuel...” No v. 13, a mulher disse “... vejo um deus que sobe da terra...”

6. Mesmo havendo a possibilidade dessa mulher ter sido enganada, ou de ter enganado a Saul, tudo ocorreu dentro da esfera de atuação de Satanás.

7. Não devemos ser indevidamente céticos, ou pseudo-racionais, afirmando que esses fenômenos não existem, pois tal posição não é bíblica, mas devemos ter a consciência de que fraudes existem com freqüência.

8. É improvável que a aparição fosse realmente de Samuel, servo de Deus, pela própria afirmação de que o espírito “subiu da terra...” e pela afirmação de Cristo, na parábola do Rico e Lázaro 
(Lc 16.26), de que os que com Deus estão não podem passar “... de lá para cá...”

Solano Portela - texto contido no quadro ilustrativo do Terceiro Mandamento, no meu livro, "A Lei de Deus Hoje".

Via: O Tempora, O Mores

As importantes características de um bom pastor



Infelizmente em nossos dias temos visto com frequência um grande número de pastores cada vez mais orgulhosos e soberbos, os quais tem esquecido as características essenciais do pastorado. O amor, a humildade e a fidelidade bíblica acabam passando longe de muitos deles e o seu principal interesse com frequência está no dinheiro, no ser exaltado, admirado e louvado diante da igreja. Para isso, muitos estão utilizando meios escusos de interpretação bíblica para conseguir o que querem. É claro que, pela graça de Deus, temos muitos pastores que são realmente exemplos para o rebanho, fieis a Deus e a sua palavra, verdadeiros modelos do rebanho; não quero anular esse fato! Mas aqui iremos analisar algumas características que biblicamente fazem de alguém um bom e fiel pastor.

O ser amável

"Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado." (1 Jo 4:11-12)¹

A principal característica é inquestionável: o amor. Um pastor sem um verdadeiro e puro amor, tal como a Bíblia nos ensina, não tem condições de ser um pastor fiel. Aqueles que não tem as ovelhas de Cristo na mais alta consideração não podem guia-las como Cristo e por meio de Cristo. Este pastor acaba por ver o rebanho como fonte de lucro e de proveito próprio, não como tesouro a que se deve dar a vida por amor, preservando-o até o dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. O amor, como cumprimento da lei, não pode nunca ser esquecido pelo cristão, quando mais pelo pastor. O amor é a marca distintiva de um verdadeiro discípulo de Cristo: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros." (Jo 13:35)

O ser humilde

"Quando, porém, o seu coração se elevou, e o seu espírito se tornou soberbo e arrogante, foi derribado do seu trono real, e passou dele a sua glória." (Dn 5:20)

"Assim diz o SENHOR Deus: Tira o diadema e remove a coroa; o que é já não será o mesmo; será exaltado o humilde e abatido o soberbo." (Ez 21:26)

O pastor precisa pastorear o rebanho de Cristo em humildade. Sem isto ele não será capaz de guiar os insubmissos ao arrependimento, antes será ele mesmo o autor de rixas e contendas de toda sorte na igreja. Agindo com soberba e orgulho, aqueles que são orgulhosos, como ele, não poderão ser repreendidos ou ensinados com a exortação das Escrituras. O próprio pastor não age de acordo com o que prega e sua autoridade desvanece. Sendo o povo de Deus composto de pessoas ainda imperfeitas e que precisam de constante assistência e exortação pastoral, não se pode tomar isso como desculpa, ignorando esse fato, deixando de exortar aqueles na igreja para que caminhem em retidão e humildemente. Um problema ainda maior aparece quando a igreja não tem o trabalho pastoral bíblico de que necessita por conta do orgulho e da soberba de seu pastor. O rebanho de Cristo sempre ouvirá a voz de Cristo, seu Pastor Mestre. Se o pastor encarregado for realmente discípulo de Cristo, agindo como ele no pastoreio, em humildade, o rebanho ouvirá sua voz por reconhecer Cristo nele. Mas se o pastor não age como discípulo de Cristo, é natural toda sorte de infortúnios e problemas na comunidade cristã.

O ser irrepreensível

"Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis." (2 Pe 3:14)

"Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR. Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; não praticam iniquidade e andam nos seus caminhos. Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca. Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os teus preceitos." (Sl 119:1-5)

Outro quesito importante e que engloba também os anteriores é o ser irrepreensível. Não se pode ser pastor do rebanho de Cristo quando se tem uma vida manchada pela vida no pecado. Quanto a isso não digo em relação aos pecados que fatalmente caímos por sermos imperfeitos e ainda não glorificados e aperfeiçoados em Cristo. O que quero dizer quanto a uma vida manchada pelo pecado é o viver no pecado. Pecados esses já conhecidos e recorrentes em que não houve arrependimento, muitas vezes camuflados e maquiados para não serem confrontados. Tais pecados podem ser: a irascibilidade, o orgulho, o ódio, o constante falar palavras torpes, o irritar-se facilmente, o espírito vingativo, a falta de paciência e mansidão, o fuxico, a brutalidade no trato etc. – muitas vezes estes pecados são nutridos por um pensamento errado de que são “temperamentos”, como chamam, e assim sendo, são próprios da pessoa e não precisam ser mudados. Tais pessoas que vivem acomodadas nestes pecados recorrentes precisam ser pastoreadas e não deveriam estar pastoreando o rebanho de Cristo.

O ser fiel

"Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (2 Ti 3:16-17)

"Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite." (Sl 1:1-2)

Também é de essencial importância, tanto como todas as características anteriores, a fidelidade bíblica. Não só na vida, mas no ensinar. A palavra de Deus precisa ser lida e interpretada fielmente para a edificação da igreja, não de acordo com as opiniões privadas de um pastor. Tal pastor pode ter bons conselhos pessoais de sua experiência pastoral, palavras que não fogem do contexto cristão, apreciadas pelos membros da igreja, mas antes de tudo, o povo de Deus precisa da palavra de Deus, pregada e exposta fielmente. Um sermão temático se torna muito perigoso por poder fazer com que um pastor “coloque palavras” na boca de Deus. Por meio da pregação fiel Deus age por meio de seu Espirito Santo na conversão, na santificação, na edificação e na exortação da igreja. Não estou dizendo que Deus não pode agir, como soberanamente age, em um sermão mal feito e não expositivo. O que digo é que um pastor que não é fiel à Palavra de Deus será julgado severamente e poderá levar muitos pelo caminho da morte.

O ser modelo do rebanho

"Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda coparticipante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho." (1 Pe 5:1-3)

Um pastor também precisa conhecer cada um do rebanho que pastoreia e acompanha-los em sua caminhada cristã. Assim poderá ser modelo do rebanho de Cristo. Isso deve ser feito não somente dentro da igreja no domingo ou em alguma programação, mas no dia a dia de cada ovelha. Não só quando as ovelhas já estão desesperadas ou já em pecado, para serem tratados, mas o pastor deve agir como pai aos filhos amados, caminhando diariamente com eles, se alegrando com suas alegrias, em seu viver cada vez mais parecido com Cristo. Do mesmo modo nas tristezas o pastor deve estar presente para os animar e exortar. Um pastor não pode ser um pastor distante: um pastor intocável. Ele deve ser próximo e amável. Uma pessoa a quem os irmãos gostam de estar perto. Não alguém que assusta os irmãos com a sua presença e/ou pelo seu excesso de zelo, mas como alguém em quem podem confiar; em quem não precisem esconder suas vidas. Onde há medo o amor não pode ser perfeito.

"No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor." (1 Jo 4:18)

Conclusão

É claro que podemos adicionar diversas outras características importantes em um pastor, mas creio que o essencial e mais importante foi tratado. Podemos sempre nos lembrar das palavras de nosso Ap. Pedro em 2 Pe. 1:3-8:

"Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo, por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo." (2 Pe 1:3-8)

Assim sendo, mesmo tratando das características de um bom pastor, não podemos esquecer que nós mesmo, como crentes membros das Igreja de Cristo, somos também chamados a perseverarmos em nossa fé, piedade, fraternidade e amor, tudo para que não nos tornemos infrutuosos ou inativos! Estas características precisam estar presentes, não só no pastor, mas em todo crente. Tudo isso para que, por meio de Cristo, nos livrando da corrupção do mundo, nos tornemos cada vez mais como Nosso Senhor e capacitados para toda boa obra. 

A nós, ovelhas, cabe orar a Deus por nossos pastores e mestres, sabendo que o ministério a que foram chamados por Deus é realmente duro e aquele que é fiel também é digno de dobradas honras! Não sejamos nós insubmissos àqueles que fielmente nos pastoreiam em Cristo para nosso crescimento e edificação. Que a graça e a paz de Deus o Pai e nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos nós.

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Nota:
¹ Todas as citações são retiradas da tradução da Bíblia Almeida Revista e Atualizada (ARA).

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Autor: Bruno Luiz Silva Rodrighero é seminarista pela Igreja Presbiteriana do Brasil, no Seminário Presbiteriano Brasil Central - Extensão Rondônia. Está cursando seu segundo ano e faz estágio na 2ª IPB de Ji-Paraná, RO.

Divulgação: 
Bereianos

30 de set de 2015

Por que muitas Assembleias de Deus estão se neopentecostalizando?

Em muitas Assembleias de Deus, o tempo da exposição da Palavra de Deus tem sido suprimido ou reduzido por causa de shows de coreografia ou peças teatrais. Além disso, pregações sobre a obra expiatória do Senhor Jesus e as ministrações do Espírito Santo têm cedido espaço à falaciosa Teologia da Prosperidade e ao famigerado “reteté”. A exposição das Escrituras sob a unção do Espirito não é mais suficiente. É preciso animar auditório, recorrer a práticas bizarras, como derramar jarras de azeite sobre a cabeça, ou empregar técnicas para emocionar as pessoas, como o famigerado fundo musical.

É triste, mas em muitas Assembleias de Deus o culto não é mais para Deus e faz-se de tudo um pouco para agradar as pessoas e massagear seus egos. Capoeira, “gospel funk”, street dance, “festa jesuína” e outras formas de entreter o povo têm sido adotadas como estratégias de “evangelização”. Está essa igreja pentecostal centenária se neopentecostalizando? A bem da verdade, o Deus da Assembleia tem as suas reservas na terra. Há pastores e expoentes das Escrituras que têm cuidado de si mesmo e da doutrina (1 Tm 4.16) e não se deixaram influenciar pelo místico neopentecostalismo. Mas muitos líderes que se dizem assembleianos já se neopentecostalizaram — infelizmente —, a fim de agradarem a uma multidão de interesseiros.

Todos os líderes da Assembleia de Deus deveriam saber que o modelo de culto pentecostal não está nas igrejas neopentecostais — que propagam um culto pseudopentecostal —, e sim na Palavra de Deus, mais precisamente em 1 Coríntios 14. Esta passagem bíblica apresenta, pelo menos, sete caracteríscas para o culto genuinamente pentecostal.

1. O propósito principal da manifestação multíplice do Espírito Santo em um culto coletivo a Deus é a edificação do seu povo (vv. 4,5,12). Risos intermináveis e supostas quedas de poder edificam em quê?

2. A faculdade do intelecto não pode ser desprezada no culto em que o Espírito Santo, de fato, age (vv. 15,20). Ninguém genuinamente usado pelo Espírito deixa de raciocinar normalmente, em um culto coletivo a Deus.

3. Um culto a Deus não deve levar os incrédulos a pensarem que os crentes estão loucos (v. 23). O que pensam os não-crentes que assistem a certos vídeos disponíveis no YouTube, nos quais vemos pessoas caindo ao chão, rindo sem parar, rosnando, latindo, mugindo, rugindo, uivando e rolando umas sobre as outras?

4. O culto coletivo deve ter ordem e decência; tudo deve ocorrer a seu tempo: louvor, exposição da Palavra, manifestações do Espírito (vv. 26-28,40). Um culto que não tem ordem nem decência é dirigido pelo Espírito?

5. No culto genuinamente pentecostal deve haver julgamento — segundo a reta justiça, conforme João 7.24 —, discernimento, a fim de se evitar falsificações (v. 29). Leia também 1 Coríntios 2.15 e 1 João 4.1.

6. Haja vista o espírito do profeta estar sujeito ao próprio profeta, é inadmissível que aconteçam manifestações consideradas do Espírito Santo em que pessoas fiquem fora de si (v. 32).

7. O Deus que se manifesta no culto coletivo não é Deus de confusão, senão de paz (v. 33). Quando um showman como Benny Hinn derruba pessoas carentes de uma bênção ou os seus supostos opositores com golpes de seu paletó, além da confusão que se instala no “culto”, tal atitude não é nada pacificadora. E quem recebe a glória, indutivamente, é o próprio showman.

Diante dos princípios apresentados, não há como considerar o “cair no Espírito” e a “unção do riso” como manifestações genuinamente do Espírito Santo! Não nos enganemos. O verdadeiro avivamento só ocorre quando há submissão à Palavra de Deus e ao Deus da Palavra. Lembremo-nos de que, se alguém cuida ser profeta ou espiritual, deve reconhecer os mandamentos do Senhor (1 Co 14.37).

Ciro Sanches Zibordi

24 de jul de 2015

Por que Thalles Roberto é uma benção para a igreja brasileira

Por que Thalles Roberto é uma benção para a igreja brasileira
Essa semana o mundo do entretenimento evangélico ficou estupefato com as declarações do cantor gospel Thalles Roberto, em uma de suas apresentações o cantor disse, dentre outras coisas, que estava “acima da média dos outros artistas cristãos” e que havia ficado “mais rico que todos eles”. Embora muitos tenham achado um absurdo essas afirmações ególatras vindas de um artista cristão, eu digo que elas servem e muito para abençoar a Igreja brasileira, explico:
Em primeiro lugar Thalles nos dá o diagnóstico de um cristianismo sem discipulado, não acredito que esse rapaz tenha sido orientado de maneira correta à luz das Escrituras Sagradas, para mim ele é apenas mais um que foi usado pela igreja como muitos que vindo da carreira secular (Thalles foi backing vocal da banda Jota Quest) se tornam um espetáculo grotesco para uma igreja sedenta por pão e circo.
Thalles pode ter desejado mudar, ser uma nova criatura, mas não foi informado realmente de como isso se dá. Basta comparar sua postura com a do Rodolfo Abrantes (Ex Raimundos), percebe-se claramente a diferença de compreensão do Evangelho ao examinar o discurso dos dois.
Na minha opinião, se Thalles erra, errou muito mais quem o ordenou pastor, nas Redes Sociais é possível ver um vídeo onde o rapaz não consegue sequer diferenciar uma fala do apóstolo Paulo com a do salmista. Ou seja, Thales mostra para a Igreja brasileira a necessidade de discipulado mais sério e profundo.
Em segundo lugar, Thalles de certa forma foi usado por Deus com essa sua atitude de menosprezo aos companheiros de estrada e altivez em relação ao próprio talento. Explico. A resposta de alguns desses artistas cristãos ao comentário de Thalles soou tão egocêntrico quanto ele.
O que nos mostra que o problema não é exclusivamente do Thalles, mas a forma que nós como Igreja temos tratado desses irmãos que muitas vezes são tão idolatrados que acabam se esquecendo do que, para quem, e por que, estão fazendo o que fazem. A atitude do Thalles é providencial, nos chama para puxarmos o freio de mão e conscientizarmos nossos irmãos de que a Igreja não deve atuar como o mundo, fabricando ídolos para melhor entretenimento dos bodes.
Como Deus é soberano, a atitude do Thalles pode abençoar a igreja brasileira, basta ter ouvidos para ouvir o que o Senhor está querendo nos dizer através da fraqueza espiritual desse irmão.
E no mais, resta-nos orar pelo rapaz, para que seus olhos e o de outros que pensam como ele, mas não têm coragem de se pronunciarem publicamente, sejam abertos. Tanto talento não pode ser assim soterrado debaixo de tanta soberba, que Jesus se compadeça dele e o humilhe, para que seus lábios um dia possam declarar apenas a glória do Senhor.

1 de jul de 2015

A IGREJA BRASILEIRA PRECISA RECUPERAR SUA IDENTIDADE

Texto apresentado no Salão Internacional Gospel – Primeiro Fórum nacional da Música Gospel – 12 de abril 2012
Boa noite a todos. Tenho, a partir de agora, poucos minutos para despertá-los para uma grande preocupação: a renovação da igreja, desafiada constantemente pela modernidade.
A igreja não é um fim em si mesma. Ela está a serviço do Reino de Deus, da evangelização, do anúncio da Boa-nova de Jesus Cristo. Isso quer dizer que uma autêntica revisão da missão da igreja remete sempre a Jesus. Em épocas de crise, é ainda mais necessária a referência contínua a Jesus Cristo. Seguir fielmente o caminho percorrido por Ele é indispensável para que a igreja possa superar, evangelicamente, os graves impasses com que hoje se defronta.
Pontos de Crise 
1) – Sabemos que uma das graves deficiências é precisamente a precária apresentação de Jesus Cristo e da boa-nova por Ele anunciada e vivida. Por isso mesmo, o povo evangélico vem sofrendo uma “fome crônica” do Evangelho. A rica religiosidade de nossa gente não é suficiente para matar a fome, nem saciar a sede da Palavra viva de Deus. Mal alimentado com o leite ralo de uma evangelização frequentemente superficial e fragmentada, o povo encontra-se subnutrido também em relação ao alimento da Palavra de Deus. As pregações são apresentadas com uma orientação cristológica inadequada. Apresenta-se um Cristo distante, perdido num emaranhado de palavras e de idéias incompreensíveis: trata-se de uma apresentação incapaz de “tocar” o coração das pessoas e incapaz de provocar uma verdadeira conversão pessoal e comunitária, pois o Cristo apresentado é primeiramente religioso, desvinculado da vivência cotidiana, da história do povo.
“ Com isso temos uma igreja perdida em sua identidade”.
Muitos estão a perguntar: o que é a igreja?
Essa é a questão não resolvida para o protestantismo, desde os dias da Reforma.
Para muitos a igreja é :
– casa de oração;
– casa de entretenimento;
– clube social;
– partido pol~itico;
E hoje, para muitos, um pouco de tudo isso, pois a igreja se tornou uma casa de show.
Por conta da perda da identidade, a igreja se distancia de suas essências e de sua história. Hoje, a igreja é gerida por fundamentos muitos mais externos que internos. Com isso, ela é mais mística, mais mágica que espiritual, pois se utiliza de artifícios cada vez mais profundos no sentido do entretenimento, pois tudo gira em torno do “show”. Isso é fruto do gospel americano. Os brasileiros, assim como em todo o mundo evangélico, foram levados por essa “onda”, em meio a essa crise de identidade. O gospel americano tem sua história. Poucos foram os líderes que foram buscar as bases desse movimento. Com isso, tudo o que recebemos foi uma avalanche de mudanças que foram desastrosas para nossas bases históricas. Com o movimento gospel nascem formas de cultos que transformam o cenário religioso do país. A igreja ganhou força na música e a liturgia se transformou, pois outros elementos foram acrescentados. Nasceu a figura do líder de louvor, dividindo a liderança do culto juntamente com o pastor. Com o tempo, o pastor passou a ser mais um no culto, pois com a explosão gospel a música se tornou o grande foco. A pregação da Palavra ficou em segundo plano. Com o gospel, surge o segundo ponto de crise: o pastor profissional.
2) – A igreja como sujeito da história não quis ficar para trás na modernidade. Com o avanço do gospel, elementos de religiosidade se tornam produtos: a música, o fiel, o culto, o sagrado, todos são elementos a serem explorados, pois o gospel dá à igreja elementos para concorrer no mercado religioso. O gospel transforma a igreja em mercado, e um mercado muito lucrativo e pouco explorado. Com esse mercado a vista, nasce a figura do “pastor profissional”, ou seja, o homem de Deus capacitado para orientar e administrar esse mercado.
O que muitos não esperavam que com esse mercado é que a igreja sofreria grandes transformações, pois com isso nasce a igreja como entretenimento, com uma roupagem nova, “mais moderna”. O gospel trouxe a linguagem comercial para a igreja, e com isso a igreja, além de ser uma fonte de entretenimento, também se tornou comercial: os fiéis agora são clientes a serem conquistados, a serem alcançados, pois cada cliente novo é sinônimo de crescimento. As igrejas ganharam metas a serem atingidas, e o que era um sacerdócio agora é um mercado. Com isso nasce a igreja para divertir.
É o evangelho para divertir, é o evangelho da vitória, é o evangelho do milagre, da benção. Todo o discurso vem de encontro ao “cliente”. Tudo é produzido para o lazer e nada melhor do que a música para esse lazer ficar completo.
Com isso, a igreja evolui fora do religioso: temos o nascimento de um dos pontos mais sérios dentro da crise de identidade do cristianismo brasileiro. Com tantas transformações nasce a secularização, pois o secularismo ensina a igreja que não há limites para se atingir seus alvos. Temos, assim, uma igreja pragmática, materialista, consumista, e acima de tudo sem definição, sem forças para definir o que é sagrado, o que é profano. O materialismo faz com que a igreja perca seu referencial humano, pois o humano é uma pedra para quem quer avançar no contexto da competição, pois o mercado é desumano.
O amor ao próximo retorna ao mero discurso. O sagrado só tem significância na mediação do espetáculo religioso.
O duo consumo-entretenimento é o aspecto conformado da cultura do mercado. A igreja agora é casa de “espetáculo”, é preciso consumir, mas também ser feliz, ser vitorioso, e com isso vem a busca desenfreada pelo material. E isso é conquistado com desafios materiais, ou seja, quando mais você der, mais Deus vai lhe retribuir. Igreja, culto, música, pastores, bíblias são hoje fontes de mercado, e todo contexto transformou cada elemento do culto em um produto de consumo nesse imenso fast-food da fé. A barganha é a moeda de troca para aqueles que querem ser felizes com Jesus.
Nasce o culto aos números, à aparência, aos elementos materiais, pois um povo vencedor com Jesus tem dinheiro, se veste bem, tem bons carros, mora em um bom imóvel, se fica doente Jesus cura, pois tudo é vitória em Cristo, desde que você esteja sempre com algo nas mãos para “barganhar” com Deus.
Com isso, os números são importantes, pois o povo, os ouvintes, são consumidores do mercado gospel. Sem perceber a perda de identidade, os pastores profissionais transformaram suas igrejas em uma “franquia” do céu.
O cristianismo verdadeiro, essencial, com sua história, fica no passado. Agora temos uma nova igreja. A igreja mercantilista contemporânea. Com o avanço do gospel, também temos o avanço da teologia da prosperidade, que se tornou o discurso do mercado gospel.
Nasce assim a igreja movida pelos tele-pastores e seus produtos para a felicidade: são livros, cds, óleo e até homens e mulheres a serem conquistados como produtos para uma verdadeira felicidade.
Na teologia da prosperidade tudo é rápido, pois quem “paga” não pode esperar. Sem perceber, tudo se tornou líquido. Nada pede aprofundamento, tudo tem que ter emoção e lágrimas, porém nada precisa ser fundamentado na Palavra de Deus.
Temos o louvorzão em forma de shows gospel; as grandes cruzadas, onde o espetáculo é o grande foco, pois para alimentar tudo isso é preciso de mídia e acima de tudo muito dinheiro. No gospel o grande patrocinador é a teologia da prosperidade, pois num mercado onde fiéis são consumidores, o dinheiro é o grande veículo da benção. Nesse processo, o dinheiro se torna personagem principal em toda mídia quando a notícia é o mundo gospel e seus líderes.
A igreja “moderna” sucumbiu diante das tentações do mundo. O que Cristo recusou e rebateu com a Palavra em sua tentação no deserto, hoje muitos líderes e seus ministérios aceitam e praticam: o cristianismo do espetáculo.
O cristianismo onde Cristo é a marca registrada, é o produto a ser explorado.
O cristianismo onde a pessoa de Cristo nada tem haver com o ser humano. O grande interesse é mercadológico, e diversos produtos ganham suas versões cristológicas: é agua, é refrigerante, perfume, roupas, salames, queijo etc.
A igreja se insere no gospel sem perceber que o mercantilismo leva a igreja para um grande laço, pois dentro desse mercado o importante é o lucro, e lucro desenfreado e desumano, pois transforma o ser humano em um produto a ser explorado.
3) – Porque o $how tem que parar ?
Porque no show não há compromisso, tudo é líquido, não há fundamentação. A igreja não quer perder, quer estar em competição com o mundo. Muitos são os líderes que se perderam nesta ganância desenfreada no mercado gospel.
“Que relação tem um pastor que coleciona cavalos de raça e a bíblia?”
O mercado é desumano, porque sua essência está na competição. Não há espaço para misericórdia, amor, pontos centrais da cultura cristã.
A igreja de Cristo se fundamenta na humanidade, pois o próprio Cristo se fez ser humano e habitou no meio de nós.
“Cristianismo e luxo são palavras antônimas”.
A igreja precisa responder ao sofrimento do mundo, mas com armas espirituais. A igreja deve ser voz profética em meio ao caos humano. A igreja tem a mensagem de esperança, para isso seus líderes precisam ser conhecidos pela sua simplicidade, pelo seu carisma, pelo seu conhecimento, por seus atos de fé e solidariedade em prol dos pobres e dos que sofrem.
Onde o pecado abunda, a Graça de Deus transforma. Essa é a mensagem do Evangelho.
A igreja tem que assumir sua responsabilidade social. Precisamos ser reconhecidos por uma fé cidadã. A igreja precisa ser reconhecida por sua luta em prol da verdade, da justiça e da paz. Não podemos ser reconhecidos simplesmente por ser uma grande número de votos. Temos que ser o povo do amor ao próximo, o povo reconhecido pela honestidade de seus líderes, o povo que veio ao mundo para assim como Cristo cumprir a missão de Deus.
Somos o povo que vai morar no céu, mas a porta é Jesus Cristo, não vamos para lá mediante pagamento humano pois o grande preço já foi pago.
Pois coube a Deus dar seu Único Filho em amor e remissão dos nossos pecados.
Não há salvação sem remissão de pecados, e isso dinheiro nenhum no mundo compra. Não há milagre maior do que um ser humano reconhecer o senhorio de Cristo em sua vida.
Muitos líderes não se apercebem que sua teologia materialista influencia o mundo. É só avaliarmos a corrupção, a violência, o famoso jeitinho brasileiro que todo o mundo conhece. Precisamos ser o povo reconhecido no mundo por nossa fé, por nossa honestidade.
Tudo isso é reflexo de não produzirmos uma teologia, pois enquanto as igrejas históricas se especializaram em reproduzir a teologia europeia, os pentecostais e neopentecostais são reféns da teologia americana, uma teologia desvinculada da realidade sul-amaricana. É preciso despertar o povo evangélico brasileiro para produzir uma teologia que demonstre amadurecimento e o verdadeiro crescimento da igreja.
Me encorajo a dizer que é possível a produção de uma teologia pentecostal brasileira.
Para isso é preciso rever os verdadeiros valores do cristianismo, é preciso rever a educação religiosa da igreja, e urgentemente revermos o que é ser pastor e o que é ser um líder dentro do contexto cristão.
“Lamentável saber que muitos líderes evangélicos brasileiros são conhecidos no mundo afora por sua desonestidade, por suas mentiras, por suas heresias pregadas em contra-ponto ao Evangelho de Cristo”.
Esse é o grande desafio do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira: trazer ao debate, trazer à luz o verdadeiro Evangelho de Cristo. Dizer a todos que a igreja de Cristo é para um mundo que sofre. Denunciar o falso evangelho dos pregadores da teologia da prosperidade, que transforma o ser humano em objeto a ser explorado, para saciar a sede e ganância de líderes em sua desenfreada vaidade de consumir e viver os valores desse mundo. No Evangelho de Cristo, o maior é aquele que perde, é aquele que serve ao próximo, mesmo que para isso perca sua vida. No Evangelho de Cristo somos chamados a viver longe das tentações do mundo material, do mundo mágico, místico. Somos chamados a viver na verdade, longe da mentira e das armações e falcatruas do mundo.
Por que a igreja não pode lutar pelos que sofrem? Porque se aliou ao mundo, aos corruptos, aos que produzem o sofrimento dos pobres. Hoje temos milhões de pessoas sofrendo esmagadas pela corrupção, enquanto homens e mulheres que juraram lutar pelos que sofrem se aliam à maldade desse mundo. É preciso acrescentar ao vocabulário evangélico brasileiro palavras como amor ao próximo, caridade, solidariedade, compaixão, misericórdia, eucaristia, simplicidade. Palavras que venham substituir os chavões da teologia da prosperidade, para que muitos venham ter seus olhos abertos para as verdades da vida.
Pois a palavra “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará…” (Jo 8:32) Jesus disse aos fariseus, que acreditavam ser os donos da verdade, porém foram advertidos por Jesus para que abrissem seus olhos para a verdade, e não seguissem cegos em sua religiosidade e em sua união de mentiras com o mundo.
Que não sejamos lembrados pela mídia por divisões, escândalos, vergonhas diversas, mas que sejamos lembrados por nossa sinceridade, por nossa luta pela justiça em prol dos pobres e pequeninos na fé. Que sejamos lembrados pela luta da paz, pela união dos povos, pelo diálogo com os diferentes da fé.
Que sejamos lembrados pela busca contínua de uma espiritualidade inspirada pela revelação da Palavra de Deus. Que sejamos lembrados por nossa busca contínua do entendimento. Que sejamos proclamadores da liberdade, pela fé.
Que sejamos o povo da bíblia, que vive e faz a vontade de Deus, para sua Glória.
“O que dizer dos políticos da chamada bancada evangélica?”
Temos a missão de ser sal e luz para o mundo, mas seduzidos pelas tentações, deixamos de lado os valores cristãos para saciarmos nossas vaidades. O desejo material tem cegado a muitos líderes, que mesmo em meio à vergonha de muitos escândalos não se arrependem de seus atos. Não vamos nos calar, mesmo que isso custe nossas vidas. Não adiantam ameaças, não adianta violência, não vamos parar. Vamos prosseguir.
Para isso vamos empunhar nosso slogan em todo canto desse país:
“VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES, O $HOW TEM QUE PARAR”.
Hoje já somos vários grupos em várias cidades do Brasil. Nosso movimento cresce por força do Espírito Santo, pois é inexplicável o empenho de muitos que estão tendo seus olhos abertos para perceberem o falso evangelho que está sendo pregado.
Vamos continuar nosso trabalho que é árduo, solitário, porém vamos ser a voz profética de nossos dias, pois Cristo vive e veio salvar e libertar todos que estavam perdidos.
“Avivamento sem transformação social e cultural é festa com barulho, e nada mais”
Essa é a boa nova a ser anunciada em todo mundo.
Fiquem na paz.
Deus abençoe,
Paulo Siqueira

19 de mai de 2015

Qual o seu preço para que venha a negar o Evangelho?

caurrupcao“Todo o mundo tem um preço”, já dizia o velho ditado. Mas já parou para pensar qual o preço pelo qual você negaria o Evangelho, negaria a Cristo?
“Ah, por preço nenhum!” – você deve ter se respondido. Mas será mesmo?
Judas Iscariotes, que conviveu com Jesus e Dele aprendeu o Evangelho se vendeu por trinta moedas de prata.
Silas Malafaia modificou sua teologia, adotando a demoníaca teologia da prosperidade após flertar com a IURD por um espaço na tv (com a bela desculpa de evangelizar) e após conhecer a realidade dos (im)pastores da prosperidade nos Estados Unidos, adotando alguns desses (Morris Cerullo, Mike Murdock entre outros) como (maus) exemplos a seguir.
Muitas igrejas transtornaram seus ensinos em troca das promessas de rápido crescimento numérico de membros através da adoção da visão celular (G12, Mir12, MDA e afins), do sincretismo evangélico-espírita que é a doutrina de libertação, cura interior e maldições hereditárias e da obediência cega a seus líderes.
Edir Macedo trocou o ensino do Evangelho primeiramente em troca do dinheiro propriamente dito (facilmente conquistável pela satânica teologia da prosperidade), e posteriormente por vingança contra a Rede Globo, que o desmascarou em rede nacional e com quem até hoje vive às rusgas, tentando inutilmente um dia ser superior (em poder e em finanças) à emissora rival.
Rene Terra Nova substituiu o ensino do Evangelho (que preconiza que venhamos a diminuir) pela diabólica teologia da prosperidade e sua prima, a visão celular, que ditam que devemos crescer cada vez mais. O Terra Nova cresceu tanto em seu narcisismo espiritual que hoje é “patriarca” (título inventado especialmente para ele pelo falso profeta Morris Cerullo). Além disso, Terra Nova nomeou sua mãe como “apóstola matriarca do útero profético apostólico”, colocando Maria, a mais “bem-aventurada entre as mulheres”, no chinelo.
frase-todo-homem-tem-seu-preco-diz-a-frase-nao-e-verdade-mas-para-cada-homem-existe-uma-isca-que-friedrich-nietzsche-125194Há relatos de cristãos que estão negando sua fé em áreas ocupadas pelo Estado Islâmico e pelo Boko Haram para poupar suas vidas. E há muitos e muitos casos de pastores que passam a pregar um falso evangelho para manter o salário pago mensalmente pela denominação na qual presta serviços.
Há ainda aqueles que trocam a unção sacerdotal por cargos políticos, afinal um vereador ou deputado ganha muito mais e tem muito mais benefícios e facilidades do que um pastor de uma pequena igreja. Isso sem falar nos que vendem seus talentos, como os que se dizem ministros de louvor e/ou pregadores mas são, na verdade, artistas gospel, que só “louvam” ou “pregam” em troca de bons e preestabelecidos cachês (isso sem contar as regalias nos camarins exclusivos, é claro!).
Alguns líderes cristãos são facilmente subornáveis. Um programa na tv ou no rádio, um estande numa feira evangélica de negócios, um lugar de honra num congresso gospel, uma reportagem de destaque num veículo de imprensa pode fazer muitos abrirem mão do que lhes é mais precioso espiritualmente. Como diria o escritor de Eclesiastes, tudo é vaidade.
É com muita tristeza que vemos, todos os dias, cristãos negarem ao Evangelho em programas de televisão, onde aceitam que o poder pertence à fronha ungida, a passar pelo vale do sal, a usar o kit de beleza da rainha Ester, a dar o trízimo. Nesses lugares se rejeita o milagre de Jesus, pois se busca os falsos milagres de Miqueias e de Manassés.
Moedas-de-prata-02Muitos hoje estão negando ao Evangelho de Jesus em troca de saúde, sucesso, prosperidade financeira ou casamento. Por muito menos que trinta moedas de prata vê-se homens e mulheres se entregando a caminhos largos, muito distantes da abnegação ao Eu e do amor a Deus e ao próximo.
Não é por acaso que, num país onde tantos se dizem evangélicos/cristãos, tão pouco de Jesus é visto nas ruas e nas casas.
Mas, e então? Qual o seu preço para vir a negar ao Evangelho e à Cristo?
Ou será que o negócio já foi feito e você nem percebeu?
Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. – Mateus 7:20
Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. – Gálatas 5:22
Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens.
Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis.
Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa,
E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos;
Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos.
Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados.
Porque ainda que tivésseis dez mil aios em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo.
Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores. – 1 Coríntios 4:9-16
E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. – Mateus 10:38
Voltemos ao Evangelho puro e simples,
O $how tem que parar!