31/05/2012

AS FESTAS JUNINAS E A LIBERDADE CRISTÃ




Por Rev. Misael Nascimento

Um cristão protestante pode participar de festas juninas? Três respostas têm sido dadas a esta pergunta. Primeiro, há os que dizem “sim”, uma vez que entendem as festas juninas como celebrações cristãs. Afirma-se, nesse caso, que estamos diante de festejos ligados a personagens bíblicos tais como João Batista, Pedro e Paulo e isso, por si só, legitima tais festas como integrantes do calendário cristão. Essa é a posição defendida pela Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

Outros respondem com um absoluto “não”. Entendem que o modo como o Catolicismo Romano ensina sobre os santos não é bíblico. A Bíblia não prescreve nenhuma festa ligada aos profetas ou apóstolos, muito menos a nenhum ser humano canonizado pela igreja. Não há espaço para a crença em santos mediadores. Segundo as Escrituras “há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). Essa é a posição defendida pela maioria dos evangélicos tradicionais.

Uma terceira resposta inicia com um “não”, afirmando que os cristãos protestantes devem afastar-se das comemorações romanistas das festas juninas e, ao mesmo tempo, finaliza com um “sim”, abrindo espaço para a realização de arraiais gospel – festas caipiras evangélicas. Essa posição tem sido defendida por alguns evangélicos.

Aqui é recomendável lembrar as palavras do apóstolo Paulo:

Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a criteriosos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes do altar? Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou provocaremos zelos no Senhor? Somos, acaso, mais fortes do que ele? (1Co 10.14-22).
Um dos fatos a destacar é que, no texto em questão, Paulo trata da participação dos cristãos em refeições realizadas no contexto de rituais pagãos (Bíblia de Estudo de Genebra, 1. ed., 1999, nota 10.14, p. 1357). Sua convicção é que o cristão não deve participar de coisas ligadas à idolatria; tal ligação, em última instância, corresponde a uma “associação” com os demônios. Para o apóstolo, o problema era que os crentes, ao comer alimentos oferecidos aos ídolos, depreciavam sua comunhão com Deus na Santa Ceia, ou seja, agiam de modo inconsistente com a aliança, e, deste modo, provocavam o “zelo” do Senhor (1Co 10.18-22).

Isso pode ser transposto à questão das festas juninas por meio de um argumento de quatro pontos, qual seja:
  1. A veneração aos santos da ICAR, por ferir não apenas a recomendação de 1Timóteo 2.5, mas também Êxodo 20.3-6, é idolatria.
  2. As festas juninas, ligadas à veneração dos santos romanistas, são idólatras.
  3. O cristão, de acordo com 2Coríntios 10.14, deve fugir da idolatria.
  4. Portanto, o cristão deve fugir das festas juninas.
Anteriormente eu entendia que não havia problema em uma criança participar dos festejos juninos de sua escola. Hoje penso que o melhor é os pais explicarem a essa criança as razões pelas quais ela não participará da festa junina. É mais instrutivo, bíblico e edificante.

Mas, o que dizer da “alma caipira” que reside em nós, que nos motiva a acender fogueira, assar mandioca e batata-doce e comer bolo de fubá? Qual o problema, por exemplo, de realizar uma noite caipira ao som de modas de viola e, quem sabe, até brincar inocentemente de quadrilha evangélica? Ou criar uma “Festa dos Estados”, com barracas de comidas típicas ou algo semelhante, quem sabe até como estratégia para atrair visitantes?

Inicialmente, declaro meu respeito aos colegas pastores e irmãos em Cristo que não enxergam problemas na realização desse tipo de atividade. Eu mesmo já acreditei que isso podia ser feito sem prejuízos para o testemunho cristão e fiz isso de muito boa fé, com a alma sincera diante de Deus. No entanto, mudei de posição. Hoje, creio que a produção de versões evangélicas de festas juninas não é recomendável por algumas razões. Primeiro, porque estamos saturados de versões gospel de tudo: Temos uma quase inesgotável lista de práticas e “produtos” gospel. É preciso compreender que não fomos chamados a imitar o mundo e sim a transformá-lo (1Jo 2.15-17).

Em segundo lugar, há outro problema denominado associação. É possível que, ao participar de uma festa junina gospel, sejam feitas associações com o evento original, de origem e significado idolátricos – queiramos ou não, festas juninas estão ligadas às crenças da ICAR. Cristãos sensíveis podem sentir um desconforto inexplicável diante disso. Visitantes interessados na fé protestante exigirão explicações mais detalhadas sobre as razões da realização de tal noite caipira “calvinista”.

Sendo assim, parece-me mais adequado considerar as festas juninas evangélicas entre aquelas coisas que o apóstolo Paulo chama de lícitas, mas inconvenientes e não-edificantes (1Co 10.23). Nessas questão, pensemos primeiramente nos interesses do corpo de Cristo, e não nos nossos (1Co 10.24). Não sou contra comer bolo de milho, ou canjica, ou pé-de-moleque. Gosto de batata-doce assada na brasa e me delicio com um bom curau e uma música caipira de raiz. Desfrutemos dessas coisas, porém, na privacidade de nossos lares ou fora do contexto de festas caipiras nos meses de junho e julho. Não porque tais iguarias sejam pecaminosas em si, mas para evitar associações indesejáveis.

Somos livres para participar de festas juninas? Não. Ao participarmos de tais festas, nos ligamos em idolatria. Devemos realizar eventos caipiras gospel? Devemos participar de tais atividades? Também não. Nesse segundo caso, não porque haja idolatria envolvida, mas porque há o perigo de associações indesejáveis. O ideal é que fortaleçamos nossa identidade cristã, bíblica e protestante, desvinculando-nos de qualquer aparência do mal (1Ts 5.22).

Fonte: Misael Nascimento Via: Ministério Batista Beréia

A Marcha dos Fracassados




Por Hermes Fernandes


"Mas graças a Deus, que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e por meio de nós
manifesta em todo lugar o perfume do seu conhecimento" (2 Co.2:14).


Eis um dos versos bíblicos mais mal compreendidos pelos cristãos contemporâneos! Mas o que esperar de uma geração de crentes triunfalista e individualista, que pinça versos das Escrituras a seu bel-prazer, para justificar sua postura hedonista e egoísta? O que esperar de uma geração que sai às ruas numa marcha aparentemente dedicada a Jesus, mas que no fundo pretende ser uma demonstração de cacife político?

De acordo com essa visão distorcida, Paulo estaria dizendo que Cristo nos conduz pelo mundo vitoriosamente. Entretanto, o foco de Paulo não é a nossa vitória como indivíduos, mas a vitória de Cristo sobre seus inimigos. E adivinha que inimigos são esses?

Algumas traduções dizem que Ele "sempre nos faz triunfar". Porém, o texto grego diz que Ele nos conduz em triunfo. Pode até parecer que estamos trocando seis por meia dúzia. Entretanto, "fazer triunfar" e "conduzir em triunfo" têm significados bem distintos, e praticamente inversos.

De fato, a Bíblia nos garante que "somos mais que vencedores", e que "a vitória que vence o mundo é a nossa fé". Porém, esse verso em particular fala de outra coisa.

O que é que Paulo intentava dizer, afinal?

Primeiro, precisamos nos familiarizar com a palavra "triunfo". Trata-se do desfile triunfal que era promovido em Roma para recepcionar os generais romanos e suas tropas, quando chegavam de alguma campanha militar bem-sucedida.

Geralmente, o general ía à frente, em seu carro de guerra, exibindo louros em sua cabeça, seguido pelos soldados que ostentavam bandeiras e estandartes, e pelos prisioneiros de guerra, acorrentados pelos pés, mãos e pescoços.

Que posição Paulo imaginava ocupar na parada triunfal de Cristo? Será que ele se imaginava o general? Ou um dos soldados? Ou será que ele se via como um prisioneiro, um inimigo vencido, e que agora era exibido como troféu ao mundo?


Basta relembrarmos de sua conversão, quando ouviu dos lábios de Cristo:"Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões" (At.26:14). Ora, os inimigos conquistados eram exibidos pelas ruas de Roma, acorrentados com aguilhões em seus pescoços. Qualquer movimento poderia ser fatal, pois esses aguilhões penetrariam no pescoço do prisioneiro, provocando um sangramento que o levaria à morte.

Seria por isso que Paulo usualmente se apresentava como "prisioneiro de Cristo"(Ef.3:1; 4:1; Fm.1; 2 Tm.1:8)?

Paulo se considerava um inimigo conquistado por Cristo. Era exatamente esta a imagem que ele tinha em mente ao declarar que estava sendo conduzido por Cristo em Seu desfile triunfal pelo mundo. Paulo era um exemplo de que Cristo é capaz de fazer a um inimigo Seu.

Em outras palavras, somos inimigos vencidos, e agora, exibidos ao mundo como troféus. Daí Paulo declarar em outra passagem: "Pois tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte. Somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens" (1 Co.4:9). Os cidadãos que assistiam àquele espetáculo cruento sabiam que os últimos eram os condenados à morte.

E por mais paradoxal que pareça, somente os "vencidos por Cristo" podem ser considerados "mais que vencedores" por meio d'Ele.

Cristo nos conquista pelo amor! Não é pelo poder, pela força bruta, nem pela imposição, mas por Sua graça e amor.

E Suas correntes são tão poderosas, que podemos fazer coro com Paulo: "Pois estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm.8:38-39).

A verdadeira "marcha pra Jesus" não acontece com data marcada, guiada por trios elétricos, ao som de gritos de guerra, mas acontece todos os dias, pelas ruas, avenidas, corredores de supermercados, shoppings, bancos, onde gente conquistada pelo amor de Jesus são conduzidas como amostras grátis do poder do Evangelho.

Desta marcha eu participo sem o menor recato.

30/05/2012

Nota de falecimento - Armando Reyes



Nosso querido irmão, Correspondente Internacional e coordenador de projetos da Portas Abertas no Vietnã e Laos, Armando Reyes, faleceu às 9h21, desta manhã, após meses de muitas lutas contra uma enfermidade no coração.
No final de 2011, Armando descobriu que estava com problema cardíaco muito sério e foi hospitalizado para uma cirurgia urgente. Após passar pelo procedimento, recebeu alta, mas logo foi internado outra vez, enfrentando algumas complicações em seguida.
Depois de muitos meses de internação e atenção médica, Armando foi submetido a mais uma cirurgia. A operação, que foi realizada no dia 26 de maio, foi um sucesso e os médicos estavam esperançosos de que ele melhorasse. Porém, a grande quantidade de fluídos liberados após a cirurgia afetou seus rins e fígado e, nos últimos dias, sua situação piorou gradativamente.
Sua esposa, Helen, e suas duas filhas, Hazel e Gizelle, ficaram devastadas com a notícia da piora e, agora, com a morte de Armando, precisam de nossas orações mais do que nunca.
Hoje cedo, Armando estava consciente, aproximadamente às 8h da manhã, conversou com o médico, que lhe explicou que seus sinais vitais estavam cada vez melhores. Infelizmente, às 9h da manhã, Armando teve uma parada cardíaca e após algumas tentativas dos médicos para reanimá-lo, o Senhor o levou para si. Agora Armando descansa nos braços do Pai.
Conheça um pouco mais sobre a história de Armando Reyes
Armando Reyes é um filipino que se envolveu oficialmente com a Portas Abertas em 1981. Ele fez parte da tripulação do Projeto Pérola, no qual a organização contrabandeou mais de um milhão de Bíblias para a China em uma só noite. O projeto foi concluído em 18 de junho de 1981, portanto, Armando já tinha mais de 30 anos de serviço à organização. Armando tinha apenas 20 anos quando teve essa experiência única em sua vida.
Ele dizia: “Trabalhei na base de desenvolvimento nas Filipinas entre 1981-1985. Ali, eu compartilhava com os irmãos sobre o ministério da Portas Abertas com a Igreja Perseguida nas igrejas filipinas. Ao mesmo tempo, também me envolvi no trabalho de campo como professor ao conduzir o seminário “More Than Conquerors” (Mais que vencedores). Os seminários tinham o propósito de preparar e fortalecer a Igreja, que vinha sendo ameaçada por um crescente movimento de revolução comunista, naquela época. Com o tempo, ele foi substituído pelo seminário “Permanecendo Firme Através das Tempestades””.
Em 1985, Armando fez sua primeira viagem para o Vietnã e, logo depois, foi indicado pelo então diretor de projetos da Portas Abertas na Ásia para coordenar os projetos nesse país.
De 1986 a 1987, ele se juntou à equipe da Portas Abertas em Bangkok, de onde dirigiu o ministério do Vietnã por dois anos. Durante esse tempo, Armando também auxiliou a base de Bangkok no trabalho que faziam na Tailândia, Mianmar e Laos.
Quando a base da Portas Abertas em Bangkok foi fechada em 1988, Armando voltou para Manila, Filipinas, de onde deu continuidade ao ministério feito no Vietnã e também ajudou a base de desenvolvimento das Filipinas.
Pela segunda vez, solicitaram que Armando se mudasse para Hong Kong, isso em 1992, e iniciasse um projeto que consistia em fazer pequenos contrabandos de Bíblias para a China e, ao mesmo tempo, continuasse o trabalho no Vietnã. Ele trabalhou por quatro anos ali, antes de voltar para Manila.
Em 1997, Armando fez sua primeira viagem ao Laos. O principal objetivo da viagem era apenas explorar a possibilidade de recomeçar os projetos no país. No ano seguinte, a Portas Abertas voltou a atuar no sudeste asiático realizando projetos no Laos.
Armando viajou várias vezes como Correspondente Internacional para os EUA, Austrália, Nova Zelândia, Malásia, Reino Unido, Suíça e até o Brasil.
Ele esteve em nosso país entre 15 e 31 de outubro de 2010. Armando visitou cerca de 20 igrejas em São Paulo, Espírito Santo, Ceará, Pernambuco e Sergipe. Sua visita ao Brasil marcou a vida de milhares de cristãos brasileiros e deixou uma lembrança agradável de um homem simples e cheio do Espírito do Senhor.
Armando compartilhou em seu tempo no Brasil sobre suas experiências no Vietnã e Laos e também sobre sua participação no Projeto Pérola.
Pedidos de oração
- Ore pela esposa, Helen, e pelas duas filhas que Armando deixou: Hazel e Gizelle. Elas precisam muito de suas orações e apoio neste momento.
- Interceda por toda a família de Armando e pelos colaboradores da Portas Abertas nas Filipinas, que perderam um amigo e irmão.
- Ore pelo assistente de Armando Reyes, Victor Lagaya, que virá em agosto ao Brasil. Ele tem assumido a difícil tarefa de dar continuidade ao trabalho de Armando desde a sua primeira hospitalização.
- Ore pelos milhares de cristãos no Vietnã e Laos, que possuíam contato direto com Armando Reyes. As duas nações estão em luto pela perda deste, que foi um dos homens que mais lutou para socorrer a Igreja Perseguida dessas nações.

29/05/2012

A tentação de olhar para trás


O processo começa com uma sensação de perda. Uma impressão de que o quê ficou para trás era muito mais valioso do que aquilo que está a sua frente. Uma sensação de que talvez, no último cruzamento o caminho a ser tomado era o outro. Ou então que você não devia ter saído do asfalto e se aventurado por esta estrada de chão.
O medo também tem seu lugar neste processo. A sensação é de que se você não olhar para trás alguma coisa vai te apanhar de surpresa. Te apanhar desprevenido. Nada mais justo do que se proteger. Conhecer o seu perseguidor, dar ritmo a mudança. Será que o meu passo está adequado? Será que não preciso me apressar um pouco mais? Ilusão. Pura ilusão. Tudo parece trabalhar de forma orquestrada para que você olhe para trás.
Os sinais deixam de fazer sentido. Mesmo com sua cidade em vias de ser destruída, ainda que os avisos e sinais apontem para o final breve, apesar de tudo e de todos. Só uma olhadinha. Não vai fazer mal. Você já viveu lá por tanto tempo. Uma olhada apenas para se despedir. Depois você promete que não olha mais.
Então, como se por espasmo, você começa a olhar para os lados. Parece que seu pescoço precisa dar uma giradinha, quase uma espreguiçada, um relax diria eu. Efeitos físicos da tentação. Uma espiada de canto de olho. Você não se contenta. Não dá para enxergar direito assim. É preciso parar, girar o corpo e fixamente olhar para o que ficou lá.
Pronto. Você olha. Era só isso que você precisava. Não doeu nada. Agora você pode se virar novamente e seguir em frente.
Mas aquela visão te hipnotiza. Aquela vista familiar e saudosista te prende a atenção. Você fixa o olhar e aos poucos não consegue mais se mexer. Subitamente um gosto salgado te enche a boca e o calor da salvação dá lugar ao frio costumeiro da sua antiga casa, sua antiga cidade.
Olhar para trás não é mais uma opção, é um castigo. Seus olhos permanecerão eternamente abertos para ver o que você deveria ter deixado para trás.
E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.
Gênesis 19:26

Fonte: Napec 

5 visões de Jesus a respeito de quem são os fortes desse mundo


Por André Sanchez
Ser forte é o sonho de quase todos nós. Quando crianças olhamos para os heróis da ficção e invejamos sua força, queremos ser como eles, tentamos imitá-los na forma como agem e na forma com que usam os seus super poderes. Quando adultos mantemos essa vontade de sermos fortes e a buscamos de muitas formas. A sociedade oferece várias formas para deixar alguém forte: Dinheiro, fama, poder, posições de liderança, beleza, etc.
Porém, nesse artigo, gostaria de apresentar 5 visões de Jesus a respeito de quem é realmente forte:
1-) O FORTE É SERVO DO PRÓXIMO
“Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mateus 20.26).Para Jesus o grande (forte) era aquele que fazia de si mesmo um servo, se colocava na posição de maior humildade e doava-se ao bem do próximo, devendo até mesmo se sacrificar por isso se fosse necessário: “Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.” (Mateus 5.41).
2-) O FORTE AMA E FAZ O BEM ATÉ AO INIMIGO
“Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam” (Lucas 6.27). Para Jesus o forte é aquele que demonstra na prática o amor sacrificial. A maior demonstração de amor sacrificial é o perdão oferecido àquele que nos feriu. Jesus completa: “Se vocês amam somente aqueles que os amam, por que esperam que Deus lhes dê alguma recompensa? Até os cobradores de impostos amam as pessoas que os amam!” (Mateus 5.46 – NTLH)
3-) O FORTE NÃO VIVE FIRMADO NA ANSIEDADE, MAS NA FÉ
“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” (Mateus 6.25). Para Jesus o forte é aquele que consegue confiar plenamente no cuidado do Pai. Ele não vive em uma ansiedade doentia pelas inconstâncias da vida, mas vive firmado na constância do cuidado de Deus. Assim, o forte consegue se dedicar àquilo que é realmente importante na vida, que é o reino de Deus e a Sua vontade (Mateus 6. 33).
4-) O FORTE NECESSARIAMENTE SEGUE OS PASSOS DE JESUS
“Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.” (João 12. 26). Para Jesus o forte deve seguir seus passos, pois Ele é o modelo de força perfeito. Sua força destrói os moldes de força terrenos, pois é baseado na força de Deus, por isso, os verdadeiramente fortes devem seguir as Suas pegadas. Jesus deixa claro que não há como ser forte sem Ele: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15. 5)
5-) O FORTE ORA
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mateus 26. 41). Para Jesus os fortes são os que oram. Ele confere especial força de resistência àqueles que usam da oração em suas vidas. O ministério de Jesus foi um ministério de oração e assim também deve ser dos seus (fortes) discípulos.
E você, acrescentaria mais alguma característica dos fortes segundo a visão de Jesus?

28/05/2012

JESUS TE AMA! E OS CRISTÃOS?


Por Samuel Torralbo
É muito comum encontrarmos pessoas afirmando que, são afeiçoadas pela pessoa e obra de Jesus Cristo, mas que, sentem aversão e pavor em relação aos seus seguidores, ou aquilo que conhecem como igreja.
Quero afirmar que, creio integralmente na verdade bíblica que revela a igreja de Cristo como um organismo extraordinário, amoroso, unificado, e relevante na expressão da sua missão de glorificar a Deus através de Cristo Jesus.
Porém, a igreja é formada por homens e mulheres dotados de relatividades e imperfeições, que invariavelmente no curso da história glorificaram a Deus através de sua fé e praticidade de vida, mas que, de contrapartida, infelizmente alguns “cristãos” deixaram impressões equivocadas e estarrecedoras na mente de inúmeras pessoas que ainda não pertencem à família de Deus.
De modo que, é interessante para o seguidor de Jesus se colocar no lugar de uma pessoa que ainda não pertença a igreja. Por exemplo – O que será que acontece no coração de uma pessoa quando se depara com a seuinte frase em um outdoor: JESUS TE AMA! Será que sua mente volta-se para o significado da cruz e o sacrifício de Jesus, ou inevitavelmente associa esta frase ao último escândalo religioso de algum líder eclesiástico, ou alguma atitude insana de um vizinho codenominado “cristão”?
Infelizmente, durante muito tempo ouvi inúmeras declarações absurdas de cristãos alienados das escrituras e da própria história que na intenção de justificarem as suas idiossincrasias e farisaísmos declaram: “Assim como Jesus não agradou, é normal a igreja não agradar”. Isto é um grande ENGODO!
Primeiro porque, estar com Jesus sempre foi algo extraordinário, tanto que as multidões buscavam de alguma forma estar perto de Jesus – “E seguiram-no grandes multidões..”(Mt. 19.2). Segundo porque, a história da Igreja relata a impressão que a sociedade tinha dos primeiros cristãos: “Os cristãos cumprem todos os seus deveres de cidadãos e suportam todas as suas obrigações. Os cristãos não diferem dos demais homens pela terra, pela língua, ou pelos costumes. Não habitam cidades próprias, não se distinguem por idiomas estranhos, não levam vida extraordinária.
Qualquer terra estranha é pátria para eles; qualquer pátria, terra estranha. Tem a mesa em comum, não o leito. Vivendo na carne, não vivem segundo a carne. Os judeus hostilizam-nos como alienígenas; os gregos os perseguem, mas nenhum de seus inimigos pode dizer a causa de seu ódio”. (Trecho da carta a Diogneto). Ainda em relação a vida dos primeiros cristãos em sociedade, observe o que Atos 2.47, relata: “Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo.
E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. Ou seja, o motivo das perseguições e ódio em relação a Jesus e seus discípulos na maioria das vezes sempre estiveram relacionados aos interesses narcisistas da classe política e sacerdotal que por medo de perderem os seus cargos perseguiam qualquer movimento que interpretassem como oposição.
De modo que, conviver com um cristão deveria sempre ser uma experiência agradável, única, libertadora, e que aprofundasse no outro, os significados e percepções em relação vida e a eternidade com Deus.
Podemos ser perseguidos e injustiçados por causa da nossa fé, convicção, pregação e vida piedosa, mas nunca, por práticas desafeiçoadas, que infelizmente se manifestam em alguns pseudocrístãos, o que inevitavelmente faz inúmeros incrédulos pensar que cristianismo é – 1) Preconceito religioso, 2) Legalismo, 3) Confraria de pessoas alienadas e exclusivistas, 4) Comprimento de costumes e regras, 5) Ajuntamento de pessoas sem nenhuma beleza ou bom gosto existencial, etc.
Diante disto, no mínimo cada discípulo deveria se perguntar – qual é a associação que uma pessoa faz diante de uma declaração do amor divino, com relação aos seguidores de Jesus? O que as pessoas pensam sobre os cristãos contemporâneos? Qual é a impressão que estamos deixando nas pessoas através do nosso culto e maneira de viver?
Estou persuadido de que, em síntese a funcionalidade real do evangelho parte do seguinte pressuposto: antes de declararmos: JESUS TE AMA, cada cristão precisa prioritariamente AMAR, para que se cumpra a oração de Jesus pelos seus discípulos: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. (João 17.21)

Deus é narcisista ou carente?

Por Hermes C. Fernandes

Um dos nomes pelos quais Deus Se apresenta nas Escrituras é El Shadday, que significa "O Auto-suficiente", isto é, "Aquele que de nada carece", ou ainda "Pleno em Si mesmo". Ora, se Ele não tem qualquer carência, por que exige que O amemos? E ainda, por que ordena que O adoremos?

Creio que nosso amor e nossa adoração não Lhe acrescentem nada. Ele é perfeito. Também não estamos servindo a um Deus que busque auto-afirmação, ou que Se contente em ser bajulado. Ele sabe exatamente quem Ele é. Então, por que Ele não ordenou apenas que amássemos aos nossos semelhantes? E por que o amor a Ele deve vir em primeiro lugar? Isso não demonstraria algum tipo de narcisismo divino? Algum capricho injustificável? Não! Não posso aceitar tal hipótese. Deve haver alguma razão plausível para isso.

Quando me apaixonei por minha esposa (já vai fazer 23 anos!), comecei a apreciar o que ela apreciava. Aos poucos, até meu gosto musical mudou. Quando amamos alguém de todo o nosso coração, passamos amar o que ele ama.

As Escrituras dizem que Deus ama a justiça e aborrece a iniqüidade (Is.61:8). E somente amando-O de todo o nosso coração, amaremos o que Ele ama, e detestaremos o que Ele detesta (Sl.97:10). Nosso coração passa a bater no compasso do coração de Deus. Não seria por isso mesmo que Davi era chamado de"Homem segundo o coração de Deus"?

E quanto à adoração? Por que devemos adorá-lO?

As mesmas Escrituras dizem que o adorador se torna semelhante ao seu ídolo (Sl.115:8). Basta verificar a tendência que nossos jovens têm de copiar seus ídolospop.

Toda adoração começa pela contemplação e admiração. Quanto mais contemplamos a beleza de Seu caráter santo e justo, mais O admiramos. E quanto mais O admiramos, mais O adoramos, e buscamos, ainda que inconscientemente, nos assemelhar a Ele.

E quanto o louvor? Há um distinção entre louvor e adoração. Nós O adoramos pelo que Ele é, e O louvamos pelo que Ele faz. Ora, Deus não carece de elogios. O próprio Jesus afirmou que não buscava glória dos homens. Então, por que devemos louvá-lO? Para que jamais nos esqueçamos de Suas obras, e assim, permaneçamos fiéis a Ele. O que Ele fez no passado não pode cair no esquecimento, mas deve ser constantemente relembrado através de louvores e ações de graça. Ao recordarmos Sua obra, despertamos em nós a esperança de um futuro promissor. Afinal, Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Há uma continuidade em Suas obras, pois visam a execução de um propósito muito mais abrangente, que culminará na restauração de todas as coisas.

Portanto, Ele não carece de ser amado. Porém, nós que precisamos amá-lO, a fim de aprendermos a amar a justiça, e tudo quanto Ele ama: nosso semelhante, nossos inimigos, e a criação como um todo. Ele não necessita ser adorado. Porém nós necessitamos adorá-lO, a fim de nos tornarmos semelhantes a Ele. Ele não necessita ser louvado, mas nós precisamos louvá-lO, a fim de não perdermos de vista Seus maravilhosos feitos, e Suas extraordinárias promessas.

Por isso, amemos, adoremos e louvemos ao nosso Deus, de todo o nosso coração, de todo nosso entendimento, e com todas as nossas forças.



Fonte: Hermes C. Fernandes

Finalmente... "Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitar"

Erros Escatológicos que os Pregadores Devem Evitarlivro que você já pode adquirir através da loja virtual deste blogfaz parte de uma série de “Hermilética” — Hermenêutica e Homilética com Apologética — que iniciei há alguns anos. As obras anteriores a esta são: Erros que os Pregadores Devem Evitar (2005), Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria (2006), Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar (2007) e Erros que os Adoradores Devem Evitar (2009).

Assim como nos livros mencionados, valho-me, em alguns momentos, de linguagem espirituosa, especialmente na abertura de cada capítulo. As aventuras e desventuras do casal Títere e Marionete, personagens burlescas criadas por este autor em 2007, estão de volta, com a intenção de propiciar uma leitura leve e interessante.


Este livro orienta os pregadores — e também o povo de Deus em geral — quanto à escatologia bíblica, contrapondo-se à escatologia aterrorizante, meramente especulativa, que vem sendo disseminada no meio evangélico a partir de notícias falsas ou duvidosas, sem fundamento. A obra em apreço também estimula os leitores a estarem cada vez mais preparados, alegres e esperançosos para o glorioso Rapto da Igreja. E os ajuda a vencerem o medo, o terror, fomentados por especulações inúteis e teorias da conspiração.

Meu sincero desejo é que o Senhor levante um exército de mensageiros dispostos a proclamar que “é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm 13.11). Afinal, escatologia não é apenas o estudo das últimas coisas. Ela versa, acima de tudo, sobre a fidelidade de Deus, dando-nos a convicção de que a vitória será do nosso Rei, e não do Inimigo. “Ora, vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).

Em Cristo,

Fonte: Pr Ciro Sanches Zibordi em seu Blog

27/05/2012

Deus, Prosperidade e Trabalho

A prosperidade financeira obedece a normas, regras e métodos estabelecidos. Por outro lado, da perspectiva bíblica, a prosperidade é um dom de Deus. É ele quem concede saúde, oportunidades, inteligência, e tudo o mais que é necessário para o sucesso financeiro. E isso, sem distinção de pessoas quanto ao que crêem e quanto ao que contribuem financeiramente para as comunidades às quais pertencem. Deus faz com que a chuva caia e o sol nasça para todos, justos e injustos, crentes e descrentes, conforme Jesus ensinou (Mateus 5:45). Não é possível, de acordo com a tradição reformada, estabelecer uma relação constante de causa e efeito entre contribuições, pagamento de dízimos e ofertas e mesmo a religiosidade, com a prosperidade financeira. Várias passagens da Bíblia ensinam os crentes a não terem inveja dos ímpios que prosperam, pois cedo ou tarde haverão de ser punidos por suas impiedades, aqui ou no mundo vindouro.

Através dos séculos, as religiões vêm pregando que existe uma relação entre Deus e a prosperidade material das pessoas. No Antigo Oriente, as religiões consideradas pagãs estabeleceram milênios atrás um sistema de culto às suas divindades que se baseava nos ciclos das estações do ano, na busca do favor dessas divindades mediante sacrifícios de vários tipos e na manifestação da aceitação divina mediante as chuvas e as vitórias nas guerras. A prosperidade da nação e dos indivíduos era vista como favor dos deuses, favor esse que era obtido por meio dos sacrifícios, inclusive humanos, como os oferecidos ao deus Moloque. No Egito antigo a divindade e poder de Faraó eram mensurados pelas cheias do Nilo. As religiões gregas, da mesma forma, associavam a prosperidade material ao favor dos deuses, embora estes fossem caprichosos e imprevisíveis. As oferendas e sacrifícios lhes eram oferecidas em templos espalhados pelas principais cidades espalhadas pela bacia do Mediterrâneo, onde também haviam templos erigidos ao imperador romano, cultuado como deus.

A religião dos judeus no período antes de Cristo, baseada no Antigo Testamento, também incluía essa relação entre a ação divina e a prosperidade de Israel. Tal relação era entendida como um dos termos da aliança entre Deus e Abraão e sua descendência. Na aliança, Deus prometia, entre outras coisas, abençoar a nação e seus indivíduos com colheitas abundantes, ausência de pragas, chuvas no tempo certo, saúde e vitória contra os inimigos. Essas coisas eram vistas como alguns dos sinais e evidências do favor de Deus e como testes da dependência dele. Todavia, elas eram condicionadas à obediência e só viriam caso Israel andasse nos seus mandamentos, preceitos, leis e estatutos. Estes incluíam a entrega de sacrifícios de animais e ofertas de vários tipos, a fidelidade exclusiva a Deus como único Deus verdadeiro, uma vida moral de acordo com os padrões revelados e a prática do amor ao próximo. A falha em cumprir com os termos da aliança acarretava a suspensão dessas bênçãos. Contudo, a inclusão na aliança, o favor de Deus e a concessão das bênçãos não eram vistos como meritórios, mas como favor gracioso de Deus que soberanamente havia escolhido Israel como seu povo especial.

O Cristianismo, mesmo se entendendo como a extensão dessa aliança de Deus com Abraão, o pai da fé, deu outro enfoque ao papel da prosperidade na relação com Deus. Para os primeiros cristãos, a evidência do favor de Deus não eram necessariamente as bênçãos materiais, mas a capacidade de crer em Jesus de Nazaré como o Cristo, a mudança do coração e da vida, a certeza de que haviam sido perdoados de seus pecados, o privilégio de participar da Igreja e, acima de tudo, o dom do Espírito Santo, enviado pelo próprio Deus ao coração dos que criam. A exultação com as realidades espirituais da nova era que raiou com a vinda de Cristo e a esperança apocalíptica do mundo vindouro fizeram recuar para os bastidores o foco na felicidade terrena temporal, trazida pelas riquezas e pela prosperidade, até porque o próprio Jesus era pobre, bem como os seus apóstolos e os primeiros cristãos, constituídos na maior parte de órfãos, viúvas, soldados, diaristas, pequenos comerciantes e lavradores. Havia exceções, mas poucas. Os primeiros cristãos, seguindo o ensino de Jesus, se viam como peregrinos e forasteiros nesse mundo. O foco era nos tesouros do céu.

A Idade Média viu a cristandade passar por uma mudança nesse ponto (e em muitos outros). A pobreza quase virou sacramento, ao se tornar um dos votos dos monges, apesar de Jesus Cristo e os apóstolos terem condenado o apego às riquezas e não as riquezas em si. Ao mesmo tempo, e de maneira contraditória, a Igreja medieval passou a vender por dinheiro as indulgências, os famosos perdões emitidos pelo papa (como aqueles que fizeram voto de pobreza poderiam comprá-los?). Aquilo que Jesus e os apóstolos disseram que era um favor imerecido de Deus, fruto de sua graça, virou objeto de compra. Milhares de pessoas compraram as indulgências, pensando garantir para si e para familiares mortos o perdão de Deus para pecados passados, presentes e futuros.

A Reforma protestante, nascida em reação à venda das indulgências, entre outras razões, reafirmou o ensino bíblico de que o homem nada tem e nada pode fazer para obter o favor de Deus. Ele soberana e graciosamente o concede ao pecador arrependido que crê em Jesus Cristo, e nele somente. A justificação do pecador é pela fé, sem obras de justiça, afirmaram Lutero, Calvino, Zwinglio e todos os demais líderes da Reforma. Diante disso, resgatou-se o conceito de que o favor de Deus não se pode mensurar pelas dádivas terrenas, mas sim pelo dom do Espírito e pela fé salvadora, que eram dados somente aos eleitos de Deus. O trabalho, através do qual vem a prosperidade, passou a ser visto, particularmente nas obras de Calvino, como tendo caráter religioso. Acabou-se a separação entre o sagrado e o profano que subjaz ao conceito de que Deus abençoa materialmente quem lhe agrada espiritualmente. O calvinismo é, precisamente, a primeira ética cristã que deu ao trabalho um caráter religioso. Mais tarde, esse conceito foi mal compreendido por Max Weber, que traçou sua origem à doutrina da predestinação como entendida pelos puritanos do século XVIII. Weber defendeu que os calvinistas viam a prosperidade como prova da predestinação, de onde extraiu a famosa tese que o calvinismo é o pai do capitalismo. As conclusões de Weber têm sido habilmente contestadas por estudiosos capazes, que gostariam que Weber tivesse estudado as obras de Calvino e não somente os escritos dos puritanos do séc. XVIII.

Atualmente, em nosso país, a idéia de que Deus sempre abençoa materialmente aqueles que lhe agradam vem sendo levada adiante com vigor, não pelos calvinistas e reformados em geral, mas pelas igrejas evangélicas chamadas de neopentecostais, uma segunda geração do movimento pentecostal que chegou ao Brasil na década de 1900. A mensagem dos pastores, bispos e “apóstolos” desse movimento é que a prosperidade financeira e a saúde são a vontade de Deus para todo aquele que for fiel e dedicado à Igreja e que sacrificar-se para dar dízimos e ofertas. Correspondentemente, os que são infiéis nos dízimos e ofertas são amaldiçoados com quebra financeira, doenças, problemas e tormentos da parte de demônios. Na tentativa de obter esses dízimos e ofertas, os profetas da prosperidade promovem campanhas de arrecadação alimentadas por versículos bíblicos freqüentemente deslocados de seu contexto histórico e literário, prometendo prosperidade financeira aos dizimistas e ameaçando com os castigos divinos os que pouco ou nada contribuem.

O crescimento vertiginoso de igrejas neopentecostais que pregam a prosperidade só pode ser explicado pela idéia equivocada que o favor de Deus se mede e se compra pelo dinheiro, pelo gosto que os evangélicos no Brasil ainda têm por bispos e apóstolos, pela idéia nunca totalmente erradicada que pastores são mediadores entre Deus e os homens e pelo misticismo supersticioso da alma brasileira no apego a objetos considerados sagrados que podem abençoar as pessoas. Quando vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas e procurando obter prosperidade material por meio de pagamento de dízimos e ofertas me pergunto se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro e sua teologia da prosperidade não são, na verdade, filhos da Igreja medieval, uma forma de neo-catolicismo tardio que surge e cresce em nosso país onde até os evangélicos têm alma medieval.



Fonte: O Tempora, O Mores

Marcha para Jesus no Rio de Janeiro (19/05/12): o “carnaval” gospel



Um coreano olha para as faixas de conclamação à volta ao Evangelho puro e simples de Cristo e pergunta:
- Faixas de igreja? Mas aqui não é o Carnaval?
Isso aconteceu durante a Marcha para Jesus no Rio de Janeiro, capitaneada pelo Pr. Silas Malafaia, e demonstra bem o espírito que imperava naquele lugar.
O Pr. João Victor, da Igreja Batista Regular do RJ, editou o vídeo a seguir:
Logo no início do vídeo somos impactados com o funk gospel. Alguns vão dizer que pode-se adorar a Deus com todos os ritmos, mas vejam, alguém desceria até o chão com MPB ou chorinho? Porém, eu mesma fui testemunha de jovens que não apenas desciam até o chão, como também faziam a coreografia do “ai se te pego”. Nada a ver com um evento dito cristão se utilizar de ritmos que estimulam danças eróticas (a não ser que se trate de uma “balada gospel”, uma forma dos jovens fazerem dentro da igreja aquilo que lhes é proibido fazer fora – com certeza, muitos dos que ali estavam não têm coragem de entrar numa danceteria ou baile funk, locais considerados cheios de pecado. Mas têm coragem de fazer o que fariam ali no meio da Marcha para Jesus, sob a bênção dos líderes denominacionais).
A Marcha ocorreu mais ou menos como ocorre sempre: líderes e políticos no alto dos trios-elétricos, o povo pulando atrás. Porém, muitos prestaram atenção nas faixas e vieram conversar conosco. Tiraram fotos, pegaram os folhetos que distribuímos. A semente do Evangelho puro e simples foi plantada, creio eu, em muitos terrenos férteis.
Foi uma maravilhosa surpresa encontrarmos um casal panfletando um alerta sobre a corrupção nas igrejas. Eles se juntaram conosco em boa parte da Marcha, e tanto nós como eles descobrimos que não estamos sós nessa jornada. O Espírito Santo está se movendo nessa terra, apesar de nós.
Também foi maravilhoso encontrar com um rapaz, o Allan, que viu a manifestação pelo Evangelho puro e simples em Belo Horizonte, onde morava, e que agora morando no Rio se aproximou de nós e participou, ajudando a segurar as faixas. O Senhor seja louvado!
Uma das partes mais tristes foi vermos que os líderes incitaram o povo a gritar “liberdade de expressão”, ter um trio com um painel escrito “liberdade de expressão”, mas sermos ameaçados por um enorme segurança da Marcha, por causa das nossas faixas e camisetas (minutos 30 a 40 do vídeo). E o segurança ainda teve a cara-de-pau de pedir para não ser filmado, no que foi prontamente atendido. Descobrimos que os líderes ali presentes só querem liberdade para eles dizerem o que quiserem, mas querem repressão total a quem pensa diferente deles. E viva a “demo-cracia” gospel!
Outro momento triste foi o Pr. Abner Ferreira dizer algo tipo: “pastores do RJ, vocês precisam deixar o orgulho e se unir sob a liderança do Pr. Silas Malafaia”. Enfim, a oficialização do feudo gospel carioca.
Porém, entre alegrias e tristezas, prevaleceu a alegria de estar ali entre verdadeiros irmãos e cristãos, pessoas que abriram mão de suas agendas pessoais para estar pregando o Evangelho para quem, em tese, deveria conhecê-lo.
Já no caminho de volta, encontramos com um irmão que trabalha como radialista. Ele nos abordou, pois tinha lido as faixas e achou o movimento interessante. Ficamos um bom tempo conversando com ele sobre o Evangelho e saímos todos edificados com a conversa.
Agradecemos a todos que participaram, em especial ao Pr. João Victor, do blog Voltemos ao Evangelho, que editou e publicou o vídeo. Não citaremos os nomes dos participantes, pois Quem importa conhecê-los já os conhece desde que estavam no ventre de suas mães.
Mais uma vez, acreditamos que o objetivo foi alcançado: as pessoas puderam ler as faixas e os versículos bíblicos, e cremos, o Espírito Santo trabalhará naqueles que têm o coração voltado para Deus, mesmo que imersos nos enganos gospel. A seu tempo, as sementes se tornarão árvores frondosas, florescerão e darão frutos.
Neste ano, ainda haverá muitas Marchas. E lá estaremos com o mesmo propósito, se Deus assim o permitir.
A Deus, toda a honra e toda a glória para sempre.
P.S.: Lembra da pergunta do coreano, lá no início do artigo? Ele tem razão em ter dúvidas. Da forma como a Marcha para Jesus é, qualquer não cristão ou cristão legítimo a confunde com um imenso e alegre Carnaval.
Fonte: Estrangeira

A alegria vem pela manhã

A vida é engraçada em alguns momentos, triste em outros, dura em mais alguns, amorosa em vários outros, enfim, ela nos leva a vivenciar milhares de diferentes momentos e, assim, experimentamos milhares de novas sensações.

Uma sensação que tem afetado muito o dia-a-dia das pessoas é a tristeza por perdas; perdas em geral. Em certos momentos como, por exemplo, quando perdemos um ente querido, perdemos um emprego desejado, não passamos na prova do vestibular, terminamos um relacionamento, ou outra situação contrária ao nosso desejo ficamos realmente entristecidos.

O ser humano já está sensível em decorrência da competitividade, da falta de amor, da falta de carinho e de afeto que a sociedade impõe hoje. E qualquer perda é um agravante para que essa sensibilidade aflore e algumas pessoas entrem em depressão, ou sejam tomadas por uma tristeza profunda.

Entretanto, existe alguém capaz de sarar nossa alma, de curar nossas feridas e quando estamos caminhando ao lado dele temos o discernimento de sermos mais que vencedores. O nome dele é Jesus!

Por toda a Bíblia podemos encontrar diversas situações e diversas pessoas que sofreram e vivenciaram as piores aflições que um ser humano pode passar, mas sempre houve um livramento. E no livro de Salmos, capítulo 116, versículo 8, você pode ler o seguinte: “Pois livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés de tropeçar.”

É esse o único Deus capaz de trazer à existência as coisas inexistentes, só ele é capaz de transformar uma vida e fazer essa pessoa mais do que vencedora. Por isso, as pessoas precisam parar de viver a dar lugar apenas aos problemas. Todos precisam ter uma coisa chamada confiança. Confiar é, segundo o Dicionário Aurélio, ter fé! E a fé é, ainda segundo o Aurélio, uma adesão pessoal a Deus, seus desígnios e suas manifestações.

Então, pelo conhecimento de que a fé é o que nos move aos lugares mais altos, podemos transformar qualquer perda em uma conquista; qualquer tristeza em alegria; qualquer aparente derrota em uma grande vitória, desde que queiramos realmente que isso aconteça e depositemos nossa confiança em JESUS Cristo.

E como está escrito: “Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas eu vos tornarei a ver, e alegrar-se-á o vosso coração, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.” (João 16.22.)

Creia nessa verdade e seja feliz ao lado de Jesus!


Autor: Breno Amaral

Fonte: Libertos do Opressor

26/05/2012

Ameis uns aos outros

João 13:34-35
Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. 

Como ouvirão se não há quem pregue?

Atualmente nos minaretes das mesquitas muçulmanas há um clamor, um choro como o de Ismael. É a sua descendência que procura por Deus, um povo que busca a Deus várias vezes por dia e ainda não O encontrou. E permanecem abandonados por aqueles a quem foi dada a ordem: “Ide por todo o mundo e pregai este Evangelho a toda a criatura”.

23/05/2012

Quando pessoas se parecem com Satanás


Por John Parnell ►

Deus criou o homem para refletir a sua imagem e fazer avançar a exibição de sua glória sobre o mundo criado (Gênesis 1:26-28). Mas Adão falhou nesta comissão. Ao invés de ter domínio sobre a serpente, ele sucumbiu à sua astúcia. Como Greg Beale, explica: "Em vez de querer estar perto de Deus a refletir-lo, Adão e sua mulher esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim" (Gênesis 3:8 e 3:10) .

O pecado trouxe o caos e a desordem. As coisas ficaram bagunçadas. Na verdade, as coisas ficaram tão de pernas pro ar que Adão poderia ser visto realmente suprimindo a imagem de Deus e refletindo a imagem da serpente, como uma história ao contrário (veja romanos 1:18-25).

Adão foi o primeiro ser humano idólatra que se tornou em algo que ele não deveria tornar-se, parecendo mais com a cobra do que com o seu Criador. Beale explica assim:

"Idolatria" deve ser definido como reverenciar qualquer outra coisa que não seja Deus. No mínimo, a fidelidade de Adão havia deixado Deus e voltado para si próprio e, provavelmente, para Satanás, pois ele acabou se assemelhando à personagem da serpente em alguns aspectos.

[Ele mentiu]
A serpente era um mentiroso (Gênesis 3:4) e um enganador (Gênesis 3:1, 13). Da mesma forma Adão, quando perguntado por Deus, "Você comeu da árvore da qual te ordenei que não comesse?" (Gênesis 3:11), ele não responde sem rodeios. Adão respondeu, "A mulher que você me deu para estar comigo, ela me deu da árvore, e eu comi" (Gênesis 3:12). Adão estava culpando Eva por seu pecado, e isso transfere a responsabilidade dele para sua esposa, em contraste com o testemunho bíblico de que Adão foi o verdadeiro responsável pela queda (por exemplo, veja Romanos 5:12-19).
[Ele não confiava na Palavra de Deus]
Além disso, Adão, como a serpente, não confiar na palavra de Deus (em relação a Adão, ver Gênesis 2:16-17; 3:6; no que diz respeito à serpente, Gênesis 3:1, 4-5). A mudança de Adão de confiar em Deus para confiar na serpente significava que ele já não reflete a imagem de Deus, mas sim a imagem da serpente. . .
[Ele exaltou a sim mesmo]
Adão não só ficou de lado enquanto sua aliada de aliança, Eva foi enganada pela serpente, mas também decidiu por si mesmo que a palavra de Deus estava errada e a palavra diabo estava certa. Ao fazê-lo, talvez Adão estivesse refletindo uma outra característica da serpente, que exaltou o seu próprio padrão de conduta ao invés dos padrões de justiça de Deus. Certamente Adão estava decidindo por si mesmo que a palavra de Deus estava errada. Este é precisamente o ponto onde Adão se colocou no lugar de Deus - este é o culto do eu.
   GK Beale, A Teologia do Novo Testamento bíblico.

Adão era um enganador. Ele não confiava na palavra de Deus. Ele exaltou seu próprio padrão acima do padrão de Deus isso é um culto a si mesmo. Os seres humanos, criados à imagem da majestade de Deus, rebelaram-se e tornaram-se em imagem da serpente. Esta foi a queda. E essa não é apenas a história de Adão, é a nossa história, também.

O pecado não é uma coisa que nós podemos simplesmente varrer para debaixo do tapete. Não é um pouco disso ou daquilo. Ah, não. O pecado é mais fundamentalmente nós agindo como Satanás em vez de refletir a glória de Deus.

Pense nisso por um momento.

Falsificando a verdade, distorcendo um pouco as coisas, ignorando a palavra de Deus, elevando a nossa razão acima do que ele disse - essas não são lutas nem fraquezas, isso é satânico. É negar o propósito mais fundamental da nossa existência: glorificar a Deus e trazer a marca da sua santidade.

Uma motivação para uma vida de arrependimento é ver o nosso pecado como ele realmente é.

Traduzido por Beatriz Rustiguel da Silva