24 de out de 2010

Uma noiva acorrentada

 
 
Por Daniel Grubba

Durante muitos anos participei ativamente do movimento nepentecostal, e confesso, vivi muitas experiências marcantes. Algumas certamente foram extremamente positivas e as guardo no coração e na memoria até hoje. Outras, entretanto, tenho vergonha só de lembrar. Uma dessas experiências vergonhosas aconteceu no culto de ano novo. Na ocasião da virada do ano, recebi o convite e fui ouvir a pregação de um pastor que, não sei porque razão, se propunha a prognosticar as tendências espirituais do próximo ano. Na verdade, desconfio que tratava-se de uma repetição de uma tal "direção profética" de um "apóstolo" costarriquenho para o ano que viria.

Bom, até ai nenhuma novidade. Sabemos que muitos evangélicos neopentecostais carregam consigo a tendência mística e pagã de se debruçar sobre qualquer oráculo prognosticador do futuro. Lembremos que a maioria ainda possui uma idolatrizada "alma católica" (Rev. Nicodemus). Porém, a façanha maior não foi apresentar algumas previsões batidas para o ano que se iniciava, mas simplesmente numa delas declarar: "Todo cristão que não orar sistematicamente e diligentemente no próximo ano estará debaixo do juízo de Deus". E mais insano que isso, foi ouvir o pastor dizer à infeliz igreja que ele não atenderia e não ajudaria pastoralmente ninguém em dificuldade cuja vida de oração não estivesse alinhada a essa "mensagem profética" de deus (certamente não o Deus vivo e verdadeiro).

Meu Jesus Cristo! Como pode um cristão, lavado e remido pelo sangue do cordeiro, ainda permanecer debaixo do juízo divino? Será que esse "xiita" não recebeu a boa nova de Deus? Será que não leu a arrebatadora verdade de que "aquele que e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida" (Jo 5.24)? Porventura, não leu a maravilhosa proclamação da redenção? "Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Rm 5.10). Não tenho dúvidas de que esses são semelhantes aqueles que Paulo chama de "inimigos da cruz" (Fp. 3.18), isto é, falsos mestres que pregam a insuficiência da obra salvadora de Cristo na cruz para nos livrar do juízo e acrescentam outras obras humanas.

As Escrituras são claras em dizer que todo cristão deve se dirigir a Deus em oração. Esse é um ponto pacífico que não se discute. Creio que a oração é fundamental para a saúde de nossa relação com Deus, assim como a respiração é para o corpo. Contudo, na minha leitura da Palavra, a oração é uma graça concedida aos filhos de Deus e não uma lei a ser cumprida. Parece que na mente desse pastor mal orientado espiritualmente e teologicamente, a oração é um instrumento para aplacar a ira de uma divindade tirana e despótica.

Penso que essa pobre igreja está sendo violentada. É uma noiva mantida em cárcere privado, acorrentada a um jugo desnecessário. Até deve ser uma noiva que ora incessantemente em busca de libertação, mas infelizmente não conhece eficazmente seu Libertador.

"Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão" (Gl 5.1)


Fonte: PULPITO CRISTÃO.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.