13 de mar de 2011

O outro evangelho

“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”. (Gl 1.6-9).
O outro evangelho nada mais é do que um evangelho que foi pervertido, corrompido, que foi além do evangelho de Cristo pregado por Paulo e pelos apóstolos. O “evangelho que vai além” não é somente um evangelho diferente, estranho, controverso á Palavra ou melhorado, na verdade ele é tão desprovido de autoridade divina, essência da cruz, e conteúdo cristocêntrico que o podemos chamar de “Outro evangelho”.
No texto que lemos, vemos como o Apóstolo Paulo ficou estupefato em saber como as igrejas na Galácia se distanciaram do Deus verdadeiro e do evangelho verdadeiro que os chamou na graça de Cristo. A transgressão daquelas igrejas foi além de se desviar da mensagem apenas; elas se distanciaram da mensagem do evangelho e de Deus. A pretensiosa mensagem chamada “Boas Novas” da salvação a qual os Gálatas estavam sendo levados não tinha nenhum aspecto das verdadeiras “Boas Novas” de Cristo. Os que estavam levando essa mensagem às igrejas tinham razões secundárias perigosíssimas. Sem dúvida tinham argumentos convincentes e lógicos, pois, assim como, a Serpente no Jardim, poluiu a verdade ao ponto de descaracterizá-la completamente, eles tinham erradicado a mensagem do Evangelho de qualquer conteúdo da graça salvadora em Cristo Jesus. De fato, não existe outro evangelho, mas estes estavam pervertendo “o evangelho de Cristo” de tal maneira, que Paulo o chama de “outro evangelho”.Perverter(desvirtuar) o evangelho significa, acrescentar ou diminuir coisas da pura verdade do evangelho sem a autoridade de Cristo.

ü Paulo sempre se preocupou com o conteúdo do evangelho que as igrejas estavam pregando e aceitando (2Co 11.2-4;Rm 10.16; 1Co 9.16;Ef 3.8)
ü O ministério de Paulo era tão centrado em Cristo, e identificado com Cristo que ele sempre tratou o evangelho (seu conteúdo, sua beleza, seu poder, seu caráter e natureza) em máxima consideração, ao ponto de chamá-lo de seu evangelho (At 20.24; Rm 2.16; Rm 16.25; Cl 1.23; 2Tm 2.8).

A reação de Paulo ao saber da atitude dos Gálatas beirou até mesmo o impossível e o absurdo: “ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além daquele que vos temos pregado e recebestes, seja anátema”.

Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. (2Co 11.13,14)
“Anátema” quer dizer “separado para ser destruído, excomungado, amaldiçoado”
Paulo afirmou enfaticamente que o evangelho que ele ensinava não veio do homem, não era centrado no homem, porque se viesse dos homens, seria mais agradável a eles. Mas, o evangelho de Paulo veio mediante a revelação de Jesus Cristo para agradar a Cristo (Gl 1.12). Até mesmo foi perseguido por seu evangelho, até pelos próprios gálatas! (Gl 4:16; 5:11). Quando Paulo recebeu o evangelho de Cristo , ele não foi para Jerusalém para ser instruído pelos outros apóstolos. Antes, ele foi diretamente para Arábia e Damasco, pregando o evangelho que tinha recebido do Filho (Gl 1:15-17).

O cenário do mundo gospel
Nosso mundo “gospel” está saturado de evidências de seu distanciamento do Evangelho de Cristo. O que o Evangelho de Cristo tem haver com os princípios de auto-ajuda que tanto sucesso fazem no mundo secular? Que a pregação do Evangelho tem haver com a exaltação das habilidades e supostas competências do gênero humano? Que a mensagem do Evangelho, de uma salvação pela fé somente, tem a haver com um Cristo que fica agradando os homens e trocando suas bençãos? O que o Evangelho de Cristo tem haver com a psicologização do púlpito? O que o Evangelho de Cristo tem haver com as promessas absurdas de prosperidade e bênçãos materiais e passageiras a qualquer custo? Absolutamente nada!

Análise do Outro Evangelho
Este evangelho não promove conflitos ou guerras, mas tem como alvo a paz e a unidade. Não procura colocar a mãe contra a filha, nem o pai contra o filho; ao invés disso, ele fomenta o espírito de fraternidade pelo qual a raça humana é considerada uma grande “irmandade”. Este evangelho não procura mortificar o homem natural, e sim aprimorá-lo e enaltecê-lo. O outro evangelho defende a educação e a instrução, apelando ao “melhor que há no íntimo do ser humano”; tem como alvo fazer deste mundo um habitat tão confortável e agradável, que a ausência de Cristo não será sentida e Deus não será necessário. O outro evangelho se esforça para manter o homem tão ocupado com as coisas deste mundo, que não tem ocasião nem inclinação para pensar no mundo por vir. Este outro evangelho propaga os princípios do auto-sacrifício, da caridade e da benevolência, ensinando-nos a viver para o bem dos outros e sermos bondosos para todos, sem falar a verdade em amor. Apela fortemente à mentalidade carnal, tornando-se popular entre as massas, porque ignora os solenes fatos de que, por natureza, o homem é uma criatura caída, está alienado da vida de Deus, morto em delitos e pecados, e de que a única esperança se encontra em ser nascido de novo.

Cristo é substituído pelo cartão de apelo; o novo nascimento do indivíduo é trocado pela pureza social; e a doutrina e a piedade são substituídas por filosofia e política. A cultivação do velho homem é considerada mais prática do que a criação de um novo homem em Cristo Jesus, enquanto a paz universal (ecumenismo) é procurada sem a interposição e o retorno do Príncipe da Paz.

Em Provérbios 14.12, lemos“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte”. Este “caminho” que termina em “morte” é uma ilusão do diabo – O outro evangelho - um caminho de salvação por meio de realizações humanas. É um caminho que “parece direito”, ou seja, é um caminho apresentado de uma maneira tão plausível, que apela ao homem natural; e de uma maneira tão sutil e atrativa, que recomenda a si mesmo à inteligência de seus ouvintes. Multidões incontáveis são seduzidas e enganadas por este caminho, devido ao fato de que ele se apropria de uma terminologia religiosa, recorre, às vezes, à Bíblia, para sustentar a si mesmo (sempre que isto for conveniente aos seus propósitos), e defende ideais nobres diante dos homens, sendo proclamado por aqueles que foram graduados em nossas instituições teológicas. Observe que tudo isso é um outro evangelho, ele constata que o evangelho pregado hoje em muitos púlpitos não transforma pecadores em santos, revelando a crise de conversão que afeta uma boa parte da Igreja Evangélica.
Assim, muitas pessoas que freqüentam as igrejas nunca tiveram um encontro de salvação com Deus através de Jesus Cristo, nunca nasceram de novo. Não existe tragédia maior do que essao perdido achar que está salvo. Jesus mesmo disse que esse engano é possível de acordo com suas palavras em Mateus 7.21-23: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”.

CONCLUSÃO
Se descermos à raiz da questão, descobriremos que essas perplexidades, em última análise, devem-se ao fato que temos perdido nossa compreensão do evangelho bíblico. Sem o percebermos, durante os últimos anos temos trocado o evangelho por outro que, embora lhe seja semelhante quanto a determinados pormenores, trata-se de algo inteiramente diferente. Daí surge as nossas dificuldades; pois o outro evangelho não corresponde às finalidades para os quais o evangelho autêntico, no passado, mostrou-se tão poderoso. O outro evangelho fracassa notavelmente a produzir reverência profunda, arrependimento sincero, verdadeira humildade, espírito de adoração e interesse pela igreja. Por quê? A razão jaz no próprio caráter e conteúdo deste outro evangelho, o qual não leva os homens a terem pensamentos centrados em Deus, temendo-o em seus corações; mesmo porque, primariamente, não é isso que o outro evangelho procura fazer. Uma das maneiras de declararmos a diferença entre o outro e o evangelho bíblico é afirmar que o outro está demasiadamente preocupado em “ajudar” o homem a produzir em si mesmo paz, consolo, felicidade e satisfação, e pouco preocupado em glorificar a Deus. O evangelho bíblico também presta “ajuda”; de fato, até mais do que o outro. Mas o faz apenas incidentalmente, visto que glorificar a Deus sempre foi sua preocupação primária.
O evangelho bíblico, sempre primou essencialmente pela proclamação da soberania divina demonstrada em misericórdia e juízo, uma convocação para os homens prostrarem-se e adorarem o Todo-poderoso Senhor de quem eles dependem quanto a todo bem, tanto no âmbito da natureza quanto no âmbito da graça. Sem qualquer ambigüidade, o centro de referência do evangelho bíblico é DeusPorém, no outro evangelho o centro de referência é o homem. Isso é a mesma coisa que dizer que o evangelho bíblico é religioso de uma maneira que o outro evangelho não o é.
Enquanto que o alvo principal do evangelho bíblico é ensinar o homem a adorar a Deus, a preocupação do outro parece limitar-se a fazer os homens sentirem-se melhorO assunto do evangelho bíblico é Deus e os seus caminhos com os homens; o assunto do outro é o homem e a ajuda que Deus dá. Nisso há uma grande diferença. A perspectiva e a ênfase da pregação do evangelho foram completamente alteradas. De acordo com isso, não são mais pregadas verdades bíblicas tais como: a cruz como centro da fé e discipulado, arrependimento e conversão, a eleição divina, a adoção, a santificação, a morte de Cristo pelas Suas ovelhas (substituição). Essas doutrinas, segundo o outro evangelho, não satisfazem ao homem e sim o incomodam.

O outro evangelho – evangelho que não salva!
Sem sombra de dúvida esse é o outro evangelho! O que tira Jesus Cristo do centro e coloca o homem e seus problemas no centro; O que esconde a verdade da cruz e proclama a verdade do homem; o que se cerca de mestres segundo seu próprio coração e afasta os mestres que dizem a verdade; o que cria modismos para atrair "público" e afasta dos púlpitos a pregação nua e crua da verdade da cruz; o que usa um marketing maligno para manter suas igrejas cheias e não liga se para isso tem que sacrificar a mensagem genuína do evangelho.
A principal função do outro evangelho é não salvar, por isso podemos dizer que o outro evangelho é na verdade o evangelho segundo Satanás! A igreja se engana quando pensa que a única forma pela qual haveremos de alcançar o mundo é por meio de uma pregação mais light, mais adequada às massas, achando que com isso as multidões adentrarão , freqüentarão e serão salvas.Somente o evangelho cristocêntrico salva. Quem não suporta ouvir o evangelho bíblico, é porque não quer ser salvo! (2Tm 4.3-4)
Perceba que sutilmente o outro evangelho tem dominado a mente das pessoas: em vez de uma vida transformada, é uma vida melhorada por Deus, em vez de rejeitar por completo o mundo, me torno mundano dentro da igreja, em vez de pregar a Palavra e confrontar ousadamente o pecado, ouço algo que minimize os efeitos do pecado.
Em vez de pregar um Cristo que é Senhor e salvador, basta um Cristo que é somente salvador. Em vez da justiça de Deus revelada pelo evangelho, basta a minha própria justiça.
Não se engane, somente o evangelho de Cristo salva, ele é o poder de Deus para a salvação! Deus revelou, Jesus anunciou, Paulo proclamou, e nós devemos obedecer!
O outro evangelho está aí, foi predito na Bíblia e cabe a nós amaldiçoá-lo com todas as nossas forças e fazermos valer o evangelho verdadeiro de Cristo!
“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?” (Jr 5.30-31).
“A minha tenda foi destruída, todas as cordas se romperam; os meus filhos se foram e já não existem; ninguém há que levante a minha tenda e lhe erga as lonas. Porque os pastores se tornaram estúpidos e não buscaram ao Senhor; por isso, não prosperaram, e todos os seus rebanhos se acham dispersos” (Jr 10.20-21).

Autor: Pr. Flavio Muniz (Diretor da Ebtm)

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