17 de mai de 2011

Por favor, não me chame de pastor

Pastores que mentem, pastores que roubam, pastores que traem suas esposas, pastores com problemas de bebida, pastores que se masturbam, pastores que violentam membros de suas congregações, pastores que se divorciam de suas esposas, pastores que usam drogas, pastores que tem problemas com pornografia, pastores que pagam por programações com prostitutas, e a última que acaba de sair do forno, um pastor que falava de púlpito contra homossexualismo foi entregue por um massagista, falando que já fazem três anos que eles estavam se encontrando. E pode crer, ele é somente o primeiro de muitos que vão começar a sair de seus guarda-roupas. Pode ser por medo de ser achado ou pela oportunidade de pegar carona com mais um e se livrar do peso que estão carregando. E assim vai mais uma história triste de mais um “pastor” que caiu em pecado.


Houve uma época em que o “título” de pastor levava com ele um certo peso, um respeito. Mas hoje em dia, o termo pastor está mais ligado com escândalo. Não para dizer que eu sou perfeito (não sou) e que o título tem que levar uma certa perfeição em si para ser válido. Mas, quando os que levam um “título” que deve representar algo de Deus e ser um ponto referencial para a igreja estão cometendo pecados que a maioria da igreja nem comete, nós temos problemas maiores do que queremos admitir. E é isto que nós estamos vendo. Membros tentados a roubar ou trair a esposa, ou ter um encontro homossexual, estão lutando e achando como não cair em pecado, mas os próprios pastores, que falam contra esses maus, não estão achando necessário não cair, e pior, estão vivendo em pecado mostrando uma face para a congregação e uma outra por trás das portas, até que alguém descobre e a casa cai, incluindo a porta. Por isso o nome “pastor” não está sendo levado sério por muitas pessoas. Escândalo é sinônimo de pastor. E por isso eu te peço, por favor, não me chame de pastor.

Eu admito, houve uma época em que eu curtia muito o meu título. Na verdade, eu me achava o máximo quando aquele título estava ligado ao meu nome, como se ele multiplicasse meu valor. Mas isso era durante uma época ainda quando o título era sinônimo de respeito. Na verdade, o que eu senti era pecado, sem dúvida. Mas, eu somente achei isso, ou melhor, meu pecado me achou, quando um jovem da igreja esqueceu de me chamar de pastor (pecado mortal). Eu estava passando pelo templo quando eu ouvi uma voz gritar na minha direção, “Hei bicho!” Eu pensei para mim mesmo, “Claro que ele não está falando para mim.” Mas, quando eu olhei, era óbvio que ele estava, pois éramos as únicas pessoas na igreja. E para ser bem honesto, algo se levantou em mim. Eu fiquei irritado; não, eu fiquei mais do que irritado, eu estava tão perturbado com a “falta de respeito” daquele jovem que eu nem respondi, mas decidi falar com Deus, “Deus, você ouviu ele me chamar de ‘bicho’ e não de pastor? Que falta de respeito! Que coisa errada.” E dentro de mim eu ouvi aquela voz perguntar, “Qual é o problema, BICHO?” Eu morri naquela hora quando eu percebi o meu orgulho achado num título. Não era a falta de respeito que me irritou, mas sim meu ego machucado gritando por um abraço, alguém pra me defender, alguém para lembrá-lo do meu título; um título que eu tenho descoberto (depois de mais de nove anos no ministério) que não faz o homem. O título não faz ninguém mais esperto, ninguém mais lindo, ninguém mais respeitável e, com certeza, não faz ninguém mais santo. É simplesmente um título de qual eu prefiro nem ser chamado mais. Então, se você não se importa, por favor, não me chame de pastor.

Pastor hoje em dia é sinônimo de gula. Por que o homem que geralmente tem a barriga maior na igreja tem um título (pastor)? Será que isso não reflete mal na posição? Para nós que estamos dentro da igreja, a gente brinca com o focinho dele, mas nós o amamos e sabemos do seu coração. Mas aqueles lá fora que vêem um homem tão gordo que dá para pensar que a cerveja de ontem a noite ainda está tendo efeito e está tendo visão dupla entra no púlpito para falar mal de todos os pecados que o mundo vive curtindo e infelizmente a igreja também, eles não entendem.

O pastor fala que é pecado beber e fumar porque seu corpo é o templo do Espírito Santo e é pecado de abusar dele. E glutonaria? Isso não é pecado? Glutonaria é falta de domínio próprio. E isso não tem um mau efeito nos nossos corpos? Comer até quase passa mal? Existe porque todo mundo fala, “A igreja não bebe, mas ela come pra caramba!”. Glutonaria é pecado e perigoso. As conseqüências da glutonaria e mal cuidado do seu corpo mata mais pessoas por ano do que fumaça e bebida, pois é algo bem mais comum e uma praga aceitável em nossa cultura, principalmente nos gabinetes pastorais. Onde esse trem vai parar? Quando nós, como “pastores”, vamos parar de pregar somente o que nos convém e evitar o pecados que são bem óbvios em nossas barrigas, desculpe, vidas? Nós vivemos vida dupla e todo mundo sabe. Enquanto o título significa fariseu, eu te peço, por favor, não me chame de pastor.

Alguém já percebeu como nós, que temos títulos, gostamos que as pessoas nos chamem de acordo com os nossos títulos? Já conheceu um pastor que te corrigiu se você esqueceu de falar “pastor” na frente do nome dele? Não que eu ache errado ter um título ou ser chamado assim. Eu acho que é um modo de mostrar respeito por alguém que ocupe um lugar de autoridade, independente se ele merece ou não seu respeito. Mas, eu acho muito errado esses “homens de Deus” que não respondem às suas ovelhas se essas esquecem do título, e pior, ainda as corrigem. Pelo amor de Deus, desça do seu pedestal antes que Deus te derrube de lá! É um título de qual não tem mais valor. É banalizado. É xingado. É munição para muitas piadas. Chegou a hora em que nós, que estamos estigmados com esse título, nos acordarmos e fazermos algo para mudar a situação. O problema maior é que qualquer pessoa hoje pode se tornar um “pastor”, independente de qualificações, e o que é mais importante, CHAMADO.

Qualquer vendedor de Amway, ou qualquer outro produto que use o esquema de pirâmide, pode se tornar “pastor” na “visão” celular. E isto é que vemos, pessoas que não tem nenhum pingo de chamado ou unção carregando um título que não pertence a eles, até eles fazem algo para banalizar a posição, algo que um dia era respeitado, e foram colocados num lugar onde nunca deviam estar. É triste. Chamado nem entra na questão hoje em dia. O negócio não é chamado, é venda, multiplique e engane. E se eu penso em mais uma coisa, dá pra montar minha própria visão. Talvez essa: VENDA, MULTIPLIQUE, ENGANE, ENRIQUEÇA. Podemos montar uma visão chamada de G-11, (eu nunca gostei de Judas de qualquer jeito, então acho que seria melhor começar já logo sem ele). Eu não tenho nada contra a visão celular enquanto ela faz questão de não abusar de pessoas, colocando elas embaixo de pessoas que nem tem chamado, e muitas vezes uma necessidade de poder e de mandar naqueles embaixo dele, algo que eu sei que cada um de nós já tem visto, então não me venha com aquele cara de boi olhando uma cerca nova. Quem sofre são os membros comuns, aqueles que não estão tão motivados de subir a “escada de sucesso”. E até nisso, sucesso nos olhos de quem? O profeta Jeremias, depois de 40 anos, nunca multiplicou nada. Será que ele era um fracasso? Pergunte a Deus. Os membros sofrem embaixo de um abuso espiritual, tipo “Faça o que eu falo ou é considerado rebelião, e rebelião é como feitiçaria.” Vamos, todo mundo junto, diga: MANIPULAÇÃO. Os membros sofrem, os líderes são realizados, os pastores reconhecidos e as igrejas crescem, cheias de pessoas machucadas e procurando a primeira oportunidade de escapar do Titanic. Células podem ser de Deus, mas muito que rola na visão tem suas raízes no inferno.

E enquanto nós temos pastores com títulos virando as suas cabeças aos abusos, por favor, não me chame de pastor. Mas, se por acaso, você não tem a sorte de fazer parte de uma igreja na visão celular ou não é muito bom de vendas, você pode montar sua própria igreja em qualquer boquinha que caiba mais do que cinco pessoas. Mas daí, você ainda vai precisar achar aqueles cinco fiéis para te chamar de pastor, te manter, e realizar a sua necessidade de se sentir importante. Assim você ainda vai poder falar para os outros que você é um pastor. Só ore bastante pra que eles não perguntem quantos membros você tem na sua igreja. E por isso eu te peço novamente, por favor, não me chame de pastor.

Antigamente era algo muito rígido para quem queria ser um pastor. Não era para qualquer um. Era algo respeitado e muito exigido por aqueles que esperavam em fazer suas vidas no ministério. Não era algo relacionado com dinheiro como vemos com esses impostores que se chamam de “pastor” na sua busca de mais dinheiro (ou “benções”, como eles se acostumam chamar). "Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores."1Tm 6.3-10.

Ó Jesus, o que tem acontecido com sua igreja? Temos pastores que não amam as suas ovelhas, mas estão usando elas para ganhar dinheiro. Temos pastores que pecam mais do que os próprios membros e condenam todo mundo do púlpito. Temos pessoas com títulos dos quais eles não são dignos e não são qualificados, mais do que eu como cabeleireiro, desde aquela vez que eu comprei uma daquelas máquinas de cortar cabelo para poupar dinheiro. E pode crer, isto não fez uma fila fora da minha casa de pessoas na procura por um corte chique. Mas, infelizmente, muitos desses enganadores têm multidões seguindo eles, sendo enganadas por eles com a maneira estranha de prometer coisas que nem Jesus prometeu. E por isso eu peço, por favor, não me chame de pastor.

Como é que Deus vai levantar uma “geração santa” ou um povo santo enquanto os seus líderes estão vivendo em pecado? Segundo uma pesquisa feita pela revista norte americano “Christianity Today” em 2000, 33% dos pastores admitiram ter visitado um site pornográfico. Daqueles que tinham visitado um desses sites, 53% tinham visitado “alguma vezes” durante o ano e 18% visitam esses sites entre algumas vezes por mês e mais do que uma vez por semana.

Uma outra pesquisa feita com 81 pastores (74 homens e 7 mulheres), 98% tem visto um site pornográfico; 43% intencionalmente acessou um site pornográfico. 61% ds homens casados se masturbam. 82% desses têm relações sexuais com suas esposas na media de uma vez por semana. 10% se masturbam 5-10 vezes por mês, 6% mais do que 15 vezes por mês, e 1% mas do que 20 vezes por mês. 13% dos homens casados acharam que isso era normal. No seu livro, "Men's Secret Wars", Patrick Means revela uma pesquisa confidencial de pastores evangélicos e líderes de igrejas: 64% deles confirmaram que estão lidando com vícios sexuais ou uma compulsão sexual, incluindo, mas não limitada à pornografia, masturbação compulsória, ou outras secretas atividades sexuais.

Como um povo vai viver algo que não é mostrado pra eles? Como um filho vai superar seu pai? Se a igreja de hoje no Brasil é podre (é), não precisamos olhar muito além dos seus próprios líderes. É um fato histórico que quase cada vez que a nação de Israel estava com problemas, eles tinham seu início com seus líderes. Na época de Acabe, a nação de Israel caiu em pecado através do exemplo do seu líder e sua maldita esposa, Jezabel. Foi ela que levou a adoração de Baal para dentro do país e, com o tempo, a nação inteira estava envolvida em adoração a um deus falso, até o ponto que Deus se cansou do pecado e levantou Jeú para matar a família de inteira. Até quando Deus vai agüentar esses Acabes e Jezabels que estão ocupando os nossos púlpitos hoje em dia e que tem levado a nação de Brasil a adorar um deus falso? O deus do dinheiro, da prosperidade, da benção? Até quando Ele vai ficar quieto? Até quando Ele vai segurar sua mão de julgamento? O dia está chegando quando Deus vai se levantar contra cada um desses impostores que tem se colocado num lugar de prestigio que não era pra ser deles.

A hora está chegando quando Deus vai revelar os motivos errados e perversos desses enganadores. Infelizmente muitos já vão cair por causa deles e o sangue daqueles que caírem vão estar nas mãos daqueles que os levaram para o abismo; pecadores fingindo serem santos, homens de negócios fingindo serem pastores, lobos fingindo serem ovelhas. E por isso eu te peço, por favor, não me chame mais de pastor.Tito 1.7; Pois aquele que tem a responsabilidade do trabalho de Deus, como bispo, deve ser um homem que não possa ser culpado de nada.Vamos acordar! Ninguém é perfeito e não adianta fingir mais. Os grandes homens estão tendo grandes quedas depois de muitos anos vivendo mentira após mentira, pensando que o dia em que tudo ia ser revelado não iria chegar. Aquele dia sempre chega. “Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido. Porque tudo o que dissestes às escuras será ouvido em plena luz; e o que dissestes aos ouvidos no interior da casa será proclamado dos eirados.” (Lucas 12.2-3)

Se tivermos algo em nossas vidas (e quem não tem uma luta?), temos que procurar outros com quais nós podemos nos abrir. Temos que procurar prestar contas uns aos os outros e achar libertação daquelas coisas que vão ser nosso fim e o fim de muitos que estão nos seguindo. E, se por acaso, você não quer ou “consegue”, faça o que é honroso: entregue seu cargo e título até você conseguir entrar no seu púlpito e falar como o Apóstolo Paulo, “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” (I Coríntios 11:1)
Autor: Pr. Jeff Fromholz. Jeff é casado Lisa Fromholz e ambos são missionários norte-americanos no Brasil. Pais de Taylor, Tianna e Jordan, possuem os corações voltados para os jovens.



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