3 de ago de 2011

Igreja ou Picadeiro?


Por: Pr. Lourenço Stelio Rega
Publicado no site da ADBERJ
Associação dos Diáconos Batistas do Estado do Rio de Janeiro
Tenho grandes preocupações com o caminho que muitos líderes religiosos estão seguindo hoje em dia. Parece-me que estamos desejando reinventar a igreja, à nossa moda. Causa-me também a impressão de que esses líderes estão mais interessados em manter o auditório animado num frenesi recheado de entretenimento. Deus se torna, então, um mero detalhe e não deve atrapalhar o culto-show. Se uma “ovelha” não pode participar ou está desanimada, logo é descartada e substituída por quem está “interessado”. Afinal, o show não pode parar.
O sermão acaba sendo transformado num emaranhado de chavões que levam o povo ao delírio, desafiando-o a “contribuir” mais para com a “causa” – não posso dizer que essa é a causa de Deus, mas certamente é a do líder e da igreja. A Bíblia também se torna apenas um detalhe de onde são sacados os versículos, geralmente fora de contexto, para legitimar e sacralizar a palavra certeira do pregador. O momento de louvor passa a ser uma verdadeira obra de arte mobilizada por artistas bem “afinados” com a harmonia musical, mas sem garantias de que estejam sintonizados com o mestre, vivendo uma vida de santidade. Pois, o que importam são os resultados, a obra refinada do entretenimento aprovado pelo público.
O ofertório, no caso de uma igreja “de mercado”, é que acaba sendo o clímax do “culto”. É o momento quando você deve demonstrar a sua fé pagando o sacrifício por um bem maior, dando para o “reino” – certamente do líder e da igreja – aquilo que lhe é mais precioso. Num teatro e num circo há uma diferença, você paga antes de entrar; aqui, é no meio do “show”.
Parece-me que o que se considera é a lei de mercado em que a demanda é a impulsora e geradora das estratégicas adotadas. Agradar o “cliente” custe o que custar, para que ele encha de dinheiro o caixa da denominação e mantenha a sua fidelização no rol de membros para pontuar as estatísticas da igreja e do “sucesso” do seu líder. Igreja é muito mais do que isso, culto é muito mais do que isso. Aliás, não é nada disso. Igreja somos nós, pessoas por quem Cristo morreu e ressuscitou. Viver igreja é viver em partilhamento de vida, viver em comunhão, depender uns dos outros, ser motivo de cura interior mútua, estimular o próximo a viver pela fé…
Culto, muito mais do que um evento, é um estado de vida (Rm 12.1). Culto é resultado de uma vida vivida diariamente aos pés do mestre em todos os sentidos – no aspecto pessoal e íntimo, no matrimônio e família, na vida profissional, na vida social etc. O mais importante de um culto não é a pregação, não é outra coisa senão a adoração, o louvor que flui e um coração quebrantado e contrito. Se isso pode ser feito como obra de artista muito bem, mas se não pode, Deus aceitará do mesmo modo.
Portanto, temos que decidir se vivemos a igreja e cultuamos a partir dos princípios do Evangelho ou se a transformamos num picadeiro.

Fonte: Mantenedor da Fé

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