12 de out de 2011

Crianças carentes de Jesus


Por Clenir T. Xavier dos Santos
Membro da Igreja Batista Memorial da Tijuca, RJ
e Diretora do Projeto Calçada, SGM Lifewords
Um dia eu contava para um grupo do norte do país a história de Jesus repreendendo seus amigos quando tentaram dispensar as crianças para não o atrapalharem. Eu falava do quanto aquilo deixou Jesus indignado, conforme retratado em Marcos 10.13-16. Eu perguntava como é que seus seguidores ainda não tinham entendido o que era prioridade para ele. Como podiam conviver com Jesus e ainda agirem em seu nome de forma tão contrária aos seus valores.
Jesus deixou claro, naquele momento, que Ele não gostou e que não gosta quando as crianças são tratadas de forma inadequada. Jesus fez questão de mostrar para as crianças o quanto elas são especiais para Ele, e mostrou também para os adultos que Ele não os deixaria impunes. Jesus se deu ao trabalho de deixar aquela multidão para se voltar para as crianças, defendendo-as e declarando-as exemplo a ser seguido. Jesus ensina, ali, o padrão de atendimento às crianças.
Nesse momento da história, a D. Rosa, uma senhora do grupo, começou a chorar. Eu me assustei e, imediatamente, perguntei se ela estava bem. Ela confessou, com grande dor em seu coração: “Eu sou como aqueles discípulos. Eu não trato as crianças da minha igreja como Jesus gostaria!”. D. Rosa, então, contou que, no último domingo, havia sido o aniversário de sua igreja e que o bolo era pequeno para o número de pessoas presentes. Ela, então, chamou todas as crianças para uma sala e ficou brincando com elas até que os adultos acabassem de comer o bolo, para elas não verem.
Chorando, ela completou, dizendo: “Se Jesus estivesse lá, tenho certeza de que faria o contrário. Jesus teria dado o bolo para as crianças!” Realmente. Todo o grupo concordou com ela que, provavelmente, Jesus daria o bolo para as crianças e não apenas o bolo, mas as trataria de forma que refletisse o grande amor que ele tem por elas.
Sabe como Deus demonstra esse seu grande amor aos pequeninos? Por intermédio de você e de mim; de sua igreja; da forma como cuidamos deles, de como os chamamos e os respeitamos. Da forma como os valorizamos. Nossas atitudes sempre falam mais alto do que nossa pregação. Robert Fulghum escreveu para pais, dizendo: “Não se preocupe se seus filhos nunca o escutam, mas com o que eles veem você fazendo.”
“Ensinar o caminho em que a criança deve andar”, como nos ensina a Palavra, implica ter atitudes, gestos e reações coerentes com nosso discurso. Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e, mesmo com o passar dos anos, não se desviará deles. Pv 22.6.
A maior responsabilidade que a igreja tem com as crianças é ensiná-las a amarem a Deus, baseadas no amor d’Ele por elas. Deus as ama todos os dias e todo o tempo. Ele não é como muitos pais ou cuidadores. O amor de Deus não muda conforme Seu humor. Não muda dependendo do comportamento da criança. Não muda se tiver muito trabalho ou como acontece conosco quando estamos cansados.
Deus ama sempre. No entanto, o que percebemos é que as nossas crianças estão famintas de amor. Muitas até têm bons brinquedos, tênis caros, mas nada de amor. Nada de amor para se certificarem de que estão em segurança, nada de amor que as defenda, que as dignifique. Nada de amor suficiente para que pessoas deixem seus importantes afazeres a fim de gastarem tempo com elas. Nada de amor que demonstre que alguém está tomando conta delas, dos seus direitos e dos seus deveres.
Precisamos fazer a verdade do amor de Deus real para as crianças, a partir de nossas atitudes. Jesus poderia ter arrumado desculpas bem plausíveis para não dar prioridade às crianças naquele dia. Ele poderia ter dito que havia muita demanda, ou que estava cansado, ou que havia delegado essa tarefa, ou que já havia providenciado lanchinho ou um DVD para entretê-las. Porém, Ele sabia que nada substituiria o contato direto das crianças com o próprio Deus. As crianças estavam se sentindo negligenciadas, maltratadas, agredidas, desrespeitadas.
Aquelas crianças se prepararam para ver Jesus, andaram um longo caminho e criaram expectativas. As crianças que foram surpreendidas e impedidas de chegar até Jesus naquele dia ficaram decepcionadas. Devem ter-se imaginado como o próprio lixo que é descartado. Talvez como um brinquedo que ninguém mais quer usar. Talvez se tenham se visto como um pássaro que teve sua asa quebrada e não pôde mais chegar aonde queria ir. Quem sabe alguma se viu como uma barata que é esmagada e destruída porque ninguém a quer por perto?
O sonho delas foi interrompido, assim como o de muitas outras crianças. Milhares de crianças se veem assim no mundo de hoje. Algumas estão morrendo de fome, são escravizadas, são levadas às drogas e à prostituição. Mas, infelizmente, muitas se veem assim, até dentro de nossas igrejas, porque são tratadas com desprezo. Elie Wiesel disse que “o pior mal no mundo não é a raiva ou o ódio, mas a indiferença”.
Jesus sabia que a única forma de ajudar as crianças a se sentirem de acordo com sua verdadeira imagem era agir de forma a enfatizar quem elas são. Tratou-as como realeza. Deu carinho a elas, tomou-as nos braços, abençoou-as. Imagine só o impacto de ter sido carregado pelo próprio Jesus! Imagine o sentimento que cada uma teve, ao ouvir Jesus falando com ela de forma tão pessoal. Com certeza, passaram a se ver como alguém verdadeiramente importante para Jesus e a se sentir amadas. As crianças readquiriram sua imagem. Foram valorizadas.
Você tem ideia de quantas pessoas são necessárias para demonstrar o amor de Deus a uma criança e mudar a forma como pensa sobre si mesma? Sabe quantas pessoas precisam para mudar, radicalmente, o futuro de uma criança?Apenas uma. Você ou eu podemos fazer isso. Nem precisa ser a mãe ou o pai dela. Pode ser um tio ou uma tia, um irmão ou uma avó. Apenas uma pessoa basta, para inculcar no coração de uma criança que ela é especial e que foi feita à imagem de Cristo. Imagine só o que a igreja poderá fazer, se cada membro assumir sua responsabilidade de amar as crianças como se estiver amando a Cristo?
Quando Jesus ensinava os discípulos sobre os valores do reino dos céus, ele chamou uma criança e disse:
E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe”. Mateus 18.5.
Será que estamos recebendo as crianças como receberíamos Jesus? Como é que estamos recebendo as crianças em nossas igrejas? Essas não foram as únicas ocasiões em que Jesus demonstrou como as crianças são parte valiosa da sua família. Quando alimentou uma multidão, Ele usou os pães e peixinhos de uma criança. Poderia ter feito a comida aparecer de qualquer lugar, mas incluiu a criança no seu milagre (Mateus 14.13-21). Jesus nos deixou a receita certinha para, simplesmente, a seguirmos com fidelidade.
Deus, com certeza, olha para você e olha para a sua igreja. Como você acha que seria a avaliação dele?
Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram (Mateus 25.40).
Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes meus pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo (Mateus 25.45).
Para pensar:

1. Deus, certamente, poderia satisfazer todas as necessidades das crianças. Por que você acha que Ele quer usar você para uma tarefa tão importante?
2. Quando você avalia o lugar que as crianças ocupam na sua igreja, você acha que estão sendo tratadas e recebidas como se fossem o próprio Jesus?
3. Em sua igreja existe um critério de seleção dos voluntários que trabalham e passam tempo com as crianças?
4. A igreja tem investido nas pessoas que trabalham com crianças, oferecendo-lhes capacitação adequada?

Fonte: Mantenedor da Fé

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