28 de out de 2011

DISCÍPULOS DE CRISTO OU DISCÍPULOS DE CRISTIANISMO?


Por Alan Capriles

Vamos falar francamente. Qualquer pessoa que leia o Novo Testamento com o mínimo de discernimento perceberá o abismo existente entre o que Cristo ensinou e o nosso modelo de cristianismo. Não é necessário ser um teólogo para se perceber isso. Qualquer cristão sincero não somente o percebe, mas experimenta certa angústia mediante aquilo em que se transformou a igreja, tanto católica, quanto evangélica. Aliás, não vejo mais muita diferença entre uma e outra.

A verdade é que o “fermento dos fariseus”, acerca do qual Jesus nos alertou, tem contaminado de tal forma a cristandade, que precisamos nos perguntar se somos discípulos de Cristo, ou discípulos do cristianismo que inventamos. Por exemplo, se você ficou irritado com a afirmação de que não há muita diferença entre a igreja católica e a igreja evangélica, com certeza você está sendo mais discípulo de cristianismo do que discípulo de Cristo. Se não, vejamos:

Discípulos de cristianismo se esforçam por defender as doutrinas de sua denominação cristã, até mesmo com ofensas e injúrias contra seus irmãos. Discípulos de Cristo preferem se esforçar na prática daquilo que Jesus ensinou, sobretudo em amar ao próximo como ele nos amou, tratando seu semelhante da mesma forma como gostariam de ser tratados.

Discípulos de cristianismo se sacrificam pela construção de belas edificações, nas quais o destaque maior será o nome de sua rica denominação, ou a foto de seu carismático e soberbo líder. Discípulos de Cristo preferem se sacrificar na edificação de vidas, a fim de que cada um seja santuário do Espírito Santo e tenha Jesus reinando em seus corações.

Discípulos de cristianismo almejam títulos, cargos e as posições de liderança em suas denominações. Discípulos de Cristo preferem o anonimato de quem veio para servir e não para ser servido.

Discípulos de cristianismo amam receber aplausos e o lugar de destaque sobre os demais irmãos. Discípulos de Cristo preferem transferir toda a glória para Deus, a quem amam sobre todas as coisas e até mais do que a si mesmos.

Discípulos de cristianismo chamam de “casa de Deus” a edificação na qual se reúnem semanalmente. Discípulos de Cristo compreendem que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens, e que a verdadeira casa de Deus é uma edificação de pedras vivas, que são pessoas regeneradas e fundamentadas no senhorio de Cristo.

Discípulos de cristianismo se dedicam a ensaios, apresentações, festivais e congressos, a fim de dizer que estão fazendo a obra de Deus. Discípulos de Cristo compreendem que a obra de Deus é esta: expandir o seu reino em toda a parte, por meio da fé que atua pelo amor.

Discípulos de cristianismo gostam mais do Antigo Testamento, pois nele encontram versículos que respaldam seus próprios interesses. Discípulos de Cristo preferem meditar nos evangelhos, nos quais desaparecem os nossos interesses, ofuscados pela graça e verdade que emanam de Jesus.

Discípulos de cristianismo cuidam de apontar o mal que os outros não devem fazer. Discípulos de Cristo se concentram em fazer o bem por aqueles que precisam de cuidado.

Discípulos de cristianismo só conseguem ver como irmãos aqueles que concordam com suas doutrinas. Discípulos de Cristo sabem que, por mais perdido e distante que alguém esteja do Pai, nem por isso deixou de ser seu irmão, a quem deve ajudar a reviver e reencontrar a paz com Deus, por meio de Cristo Jesus.

Discípulos de cristianismo idolatram homens, especialmente os líderes de suas denominações, aos quais imitam até nos gestos e maneira de falar. Discípulos de Cristo percebem que abaixo de Deus somos todos iguais e que a ninguém devemos imitar, senão a Jesus, que nos ensina a simplicidade de sermos nós mesmos.

Discípulos de cristianismo se orgulham de sua tradição religiosa e a defendem cegamente, mesmo que seja contrária aos ensinamentos de Jesus. Discípulos de Cristo não se orgulham de coisa alguma, a não ser na cruz do seu Senhor, pela qual estão mortos para o mundo, a fim de viver a verdade em amor.

E, finalmente, discípulos de cristianismo só conseguem ver a igreja como uma organização, enquanto discípulos de Cristo sabem que a verdadeira igreja é um organismo vivo, que sobrevive tanto dentro quanto fora dos meandros de uma instituição.

Mediante tamanha disparidade, precisamos nos questionar: Somos realmente discípulos de Cristo, ou meramente discípulos de cristianismo?

Por favor, não me interprete mal. Não estou me referindo a uma simples mudança de congregação, ou de religião. Não é nada disso! Também não se trata de atacar ou defender "a", "b" ou "c". A questão aqui abordada nos fala de mudança interior, ou seja, de se atacar a raiz desse problema: a hipocrisia que há em nós. Do contrário, fica impossível seguir a Cristo, seja lá onde for.

Portanto, não estarei orando para que você deixe de se reunir com seus irmãos em Cristo, seja qual for sua congregação. Ao invés disso, minha oração é para que não nos assemelhemos mais a esse cristianismo hipócrita que aqui foi denunciado, mas que saiamos de nossas trincheiras teológicas a fim de sermos um em Cristo, frutificando em amor, e somente para glória de Deus.

Fonte: Alan Capriles em seu Blog
Via: Exemplo Bereano

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