2 de out de 2011

O Arrebatamento da Igreja será secreto?



“Esse negócio de que a vinda de Jesus será em duas fases é invenção dos pré-tribulacionistas. É coisa de dispensacionalista que não se abre a outras escolas de interpretação. Onde está escrito na Bíblia que haverá um arrebatamento secreto? Gostaria que alguém me mostrasse pelo menos um versículo que apresente a Segunda Vinda em duas etapas”, afirmam alguns estudiosos que não consideram relevantes as pesquisas de eruditos como Stanley Horton, William Menzies, John Wyckoff, David Nichols, Mark McLean, Gary McGee, Timothy Jenney, Benny Aker e Antonio Gilberto, talvez porque estes sejam pentecostais...

É importante fazer distinção entre as posições defendidas pelos teólogos e o que a Palavra de Deus realmente assevera. Ela afirma que o Arrebatamento da Igreja será secreto? Como as Escrituras são análogas, eu poderia mencionar várias passagens que se intercambiam para corroborar a minha resposta. Mas citarei apenas quatro textos do Novo Testamento: João 14.3, 1 Tessalonicenses 4.16,17, Hebreus 9.28 e Apocalipse caps. 19-22.


João 14.3. Aqui, as profecias do Senhor Jesus “virei outra vez” e “vos levarei para mim mesmo” são dirigidas exclusivamente à Igreja — que começou com os doze discípulos. Ou seja, a promessa do Arrebatamento foi feita exclusivamente para o povo que será tirado da terra, a Igreja de Cristo. Ele não disse aos seus discípulos, na passagem citada, que virá para reinar ou julgar o mundo, e sim para levá-los ao Céu, onde há muitas moradas (vv.1,2).


1 Tessalonicenses 4.16,17. Esta passagem apresenta o Arrebatamento como um evento exclusivo para a Igreja. O termo original para “arrebatamento” denota um rapto, um sequestro imperceptível, a priori, uma captura rápida, e não demorada o suficiente para que todos a percebam ou todos os olhos a vejam, como ocorrerá na Manifestação de Cristo (cf. Ap 1.7; Mt 24.30). E mais: o texto em apreço deixa claro que, no Arrebatamento, o encontro com o Senhor se dará nos ares. A Igreja irá em direção do Senhor, o que reforça a ideia de que o mundo todo não o verá nesse momento.


Hebreus 9.28. Nesta referência está escrito que Cristo “aparecerá segunda vez aos que o aguardam para a salvação”. A quem Ele aparecerá? A todos? Não! No Arrebatamento, o Senhor aparecerá somente à Igreja, que o aguarda para a salvação em seu aspecto perfectivo, isto é, a nossa glorificação (Rm 13.11; Fp 3.20,21).


Apocalipse 19-22. Esta parte do último livro da Bíblia está, claramente, em ordem cronológica e apresenta a seguinte sequência:

a) A Igreja glorificada no Céu: 19.1-10. Ou seja, ela já estará com o Senhor (Jo 14.3; 1 Ts 4.16,17; Hb 9.28) antes do próximo evento escatológico.
b) A Manifestação de Cristo em poder e grande glória: 19.11-16. Cristo virá à terra com todos os seus santos, que, é claro, já terão sido arrebatados.
c) O Armagedom: 19.17-19.
d) A vitória de Cristo sobre o império do Anticristo: Ap 19.20,21.
e) A prisão de Satanás: 20.1-3.
f) A ressurreição dos mártires da Grande Tribulação: 20.4,5.
g) O Milênio: 20.4-6.
h) A liberação de Satanás após o Milênio: 20.7-9.
i) A condenação do Diabo: 20.10.
j) O Juízo Final: 20.11-15.
l) Novo Céu e Nova Terra: 21-22.

Alguns críticos têm argumentado que os pais da Igreja e os reformadores jamais falaram de um arrebatamento secreto, e que este é uma invenção dos dispensacionalistas. Entretanto, não podemos ignorar que o pensamento teológico evolui, com o passar do tempo. Conquanto a Palavra de Deus não mude, a nossa compreensão sobre ela vai melhorando, na medida em que temos acesso a novas pesquisas, de teólogos que consideram a Bíblia a sua fonte primária de autoridade.


Observe que os profetas do Antigo Testamento apenas vaticinaram que o Senhor Jesus viria ao mundo, mas não sabiam que Ele viria duas vezes (Is 61; Zc 9). Nem passava pela cabeça deles que vários eventos profetizados diziam respeito à Segunda Vinda. Hoje, quando estudamos acerca da Segunda Vinda, vemos que a nossa compreensão é muito melhor do que a dos profetas veterotestamentários, dos crentes que viveram nos primeiros séculos e dos reformadores.


Deus revelou inúmeros mistérios ao apóstolo Paulo (1 Co 11.23; 2 Co 12.1-4). No entanto, a nossa compreensão é mais abrangente que a dele. Pense nos comentários bíblicos, dicionários e enciclopédias à nossa disposição, todos resultantes de inúmeras pesquisas, ao longo de quase dois milênios. Hoje, conhecemos de modo abrangente a sequência dos eventos futuros. É claro que isso é um privilégio, mas também uma grande responsabilidade. Afinal, não temos nenhuma desculpa para não estarmos preparados para aquele grande Dia.


Além de distinguirmos as duas vindas, podemos entender que o Segundo Advento se dará em duas etapas: o Arrebatamento para a Noiva de Cristo, nos ares (2 Co 11.2), e a Manifestação em poder e glória, na terra, com a Esposa (Ap 19.7). Que privilégio! Podemos compreender verdades que nenhum dos profetas antigos conseguiu assimilar e que os crentes do período neotestamentário conheceram apenas de modo rudimentar. Sabemos que Cristo, em sua primeira vinda, resgatou-nos do domínio do pecado (Rm 6.14), ressuscitou para a nossa justificação (Rm 4.25), fundou a sua Igreja (Mt 16.18) e ascendeu ao Céu (At 1.7-11). E também sabemos que Ele voltará para arrebatar os salvos, nas nuvens; e que, depois, pisará na terra para consumar todas as coisas (Ap 19.11,15, 20.1-6).


Portanto, a Segunda Vinda abrangerá vários eventos em série e compreenderá três grupos de povos: os judeus, os gentios e a Igreja de Cristo (1 Co 10.32). Para os judeus, o Senhor virá como o Libertador, o Messias, a fim de implantar o seu Reino. Para os gentios, virá como Juiz. E todos verão o Senhor, na sua Manifestação em poder e grande glória. Mas, para a Igreja, Ele virá antes, como o seu Noivo, para arrebatá-la e levá-la ao Céu antes da Grande Tribulação.


Maranata!


Fonte: Ciro Sanches Zibordi

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