27 de nov de 2011

Não caia!

O tempo pós-moderno é marcado pelo crescimento religioso. Entretanto, esse crescimento não significa espiritualidade verdadeira e bíblica, pois a religiosidade pós-moderna é baseada na busca de experiências pessoais e voltada apenas no hedonismo maquiado. As pessoas não querem saber se o que sentem é bíblico ou não; se o arrepio é bom e traz uma boa sensação, tudo bem! Elas não querem saber a fundamentação de sua fé, querem a manifestação de alguma coisa, não importa de onde venha.

Há anos muitos crentes e igrejas estão buscando “novas unções” e “caindo no espírito” e nem imaginam que essas manifestações não possuem nenhuma fundamentação bíblica e estão mais para doutrinas de demônios que numa ação clara e inconfundível do Senhor. Tudo isso nada mais é que o reflexo da falta de Bíblia na vida das pessoas e das igrejas, que preferem coisas que funcionam que a verdade que liberta; preferem o imediatismo das experiências que a reflexão demorada e paciente aos pés de Jesus.

Quando olhamos as Escrituras não vemos Deus derrubando ninguém, a não ser os ímpios e desobedientes (cf. Isaías 5:5; 22:5; 45:2; Amós 1:5; 3:15; Miquéias 5:14; Ageu 2:22). Em nenhum lugar das Escrituras o Espírito Santo derruba alguém por causa de seu poder, deixando a pessoa sem saber o que fazer. Na época dos Juízes o Espírito Santo vinha sobre a pessoa (Juízes 3:10; 11:29), numa clara evidência de que essa pessoa estava sob a direção do Senhor; se apoderava (Juízes 6:34) e nesse caso literalmente o Espírito revestiu Gideão (do hebraico läbaš [vb;l']); se apossava (Juízes 14:6,19; 15:14) no sentido de “ser forte, eficaz, poderoso”, já que o vocábulo hebraico waTTiclaH (xl;’c.Tiw:) nos aponta essa idéia. Observando a ação do Espírito Santo no Antigo Testamento vemos que a terceira pessoa da Trindade vinha sobre pessoas escolhidas para uma tarefa especial. Samuel disse que o Espírito do Senhor se apossaria de Saul e ele seria transformado em um novo homem (1Samuel 10:6), mas sua desobediência fez com que o Espírito do Senhor se afastasse dele (1Samuel 16:14). Davi foi ungido por Samuel e como sinal da confirmação divina o Espírito apodera-se dele (o mesmo vocábulo de Juízes 14:6).

Aliás, o caso de Saul é bastante interessante. Ele também foi fortalecido pelo Espírito à semelhança de Sansão e Davi. Ele chegou a profetizar com outros profetas em Gibeá (1Samuel 10:10; 19:23), se bem que isso não foi visto com bons olhos por alguns de modo que sua atitude tornou-se um provérbio pejorativo em Israel (1Samuel 10:11). Por quê? Porque Saul não era um exemplo de piedade e as pessoas sabiam que ele era impulsivo em suas ações, algo totalmente contrário a alguém dirigido pelo Espírito do Senhor. A única ocorrência que achamos na Escritura de alguém deitado profetizando é o próprio Saul: “Despindo-se de suas roupas, também profetizou na presença de Samuel, e, despido, ficou deitado todo aquele dia e toda aquela noite. Por isso, o povo diz: Está Saul também entre os profetas?” (1Samuel 19:24). Aqui vemos um Saul que foi rendido por Deus, que tentava matar Davi e cheio de ira e orgulho vai até Samuel e seus discípulos para matar o ungido do Senhor. Ali Deus mostrou quem mandava, pois ele teve que se submeter ao ridículo de ficar nu e em êxtase, pois é assim que o texto hebraico nos apresenta. Ele falava e se comportava como um profeta, mas na verdade estava delirando.

O problema é que muitos só imaginam Deus fazendo coisas espetaculares e não conseguem vislumbrar Deus agindo num pôr do sol, por exemplo. Querem ver algo extravagante, algo espetacular ou inusitado. Mas quando olhamos as Escrituras vemos que não é assim que o Espírito de Deus geralmente age. É verdade que algumas coisas espetaculares foram feitas pelo Senhor, mas sempre são ações únicas e com algum propósito. Nesse caso, “cair no espírito” (e insisto em colocar com e minúsculo) nada mais é que uma manifestação de delírio e êxtase emocional. Por que afirmamos isso? Porque no hebraico, o mesmo verbo que fala do Espírito Santo apoderando-se de Sansão para arrebentar as cordas é o mesmo verbo que fala do espírito maligno apoderando-se de Saul para matar Davi (1Samuel 19:9).

O que o Espírito Santo faz? Ele ergue, levanta e dá vida, nos coloca de pé e transforma a vida (1Samuel 2:8; Jó 33:4; Isaías 32:15). Ele é liberdade (2Coríntios 3:17), mas não bagunça ou desordem. Jesus disse que o Espírito Santo seria nosso Conselheiro para sempre e não apenas um momento apenas (João 14:16), que Ele nos ensinaria e nos lembraria tudo o que Jesus falou (João 14:26). O Espírito Santo seria enviado da parte do Pai para testemunhar de Jesus em nós (João 15:26,27) numa clara alusão ao selo e penhor como presença e garantia fixa de que somos do Senhor (2Coríntios 1:21,22; Efésios 1:13,14). É o Espírito Santo quem nos batiza na conversão, convencendo-nos do pecado e nos levando ao conhecimento de Cristo (João 16:13-15).

Que diferença quando lemos corretamente as Escrituras! O cristão não caí no chão em transe, em delírio; ele se prostra aos pés de Cristo em adoração e reverência; ele dobra os joelhos diante do Deus todo poderoso reconhecendo a grandeza e majestade do Eterno. Por isso, não caia! Pois os que caem hoje e pensam que o Espírito de Deus faz isso estão na verdade levando um tombo que somente produzirá estragos. Deixemos Deus erguer nossa vida para mais perto dEle e da nossa parte continuemos de joelhos dobrados em reverência e adoração.


Fonte: Pr. Gilson Jr. na Igreja Batista de Estoril

Via: Libertos do Opressor

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