26 de nov de 2011

Qual o preço do Evangelho?

Por Digão


Conta-se que, certa vez, um empresário estadunidense visitou madre Teresa de Calcutá, na Índia. Ao vê-la cuidando dos leprosos, inclusive dando banho neles, exclamou: 

 - Minha senhora, eu não faria isto que a senhora está fazendo nem por um milhão de dólares.

Ao que Madre Teresa respondeu:

- Nem eu meu filho.

Neste mundo capitalista, madre Teresa ensinou a lição que todos teimamos em não querer aprender: as coisas de Deus não podem ser quantificadas monetariamente. Afinal, tratamos de verdades eternas, não fixas no tempo. Não podem ser entendidas como meios de produção (para os marxistas) ou commodities (para quem é chegado num neoliberalismo). Não podemos colocar preço nelas sob pena de reduzir o objeto a uma coisa tangível. Afinal, não há preço que pague sabermos que somos usados por um Deus transcendente e imanente, mesmo sendo nós tão falhos e limitados.

Mas não são todos que pensam assim. Em nosso revival medieval que tomou para si o nome de “igreja evangélica”, tudo tem preço. Oração, pregação, testemunho, louvor. Tudo tabelado. E o povo paga com toda a alegria possível. Em seu engano, as pessoas freqüentadoras do neomedievalismo pensam que agradam a Deus, pagando aos profetas de Baal para que eles lhes acalentem a alma preguiçosa e pervertida com palavras de inspiração e ânimo. Anseiam apenas uma mensagem no estilo de Lair Ribeiro, mas com mais termos religiosos no meio, coisa que os profetas de Baal fornecem com todo prazer, mediante o suficiente pagamento.

Mas isso não pode ser confundido com evangelho. Pregar o evangelho significa, antes de tudo, vivê-lo, para que seu anúncio não caia na vala comum da hipocrisia. Porém, quando se quer colocar preço no anúncio do evangelho, “resolve-se” este problema, coisificando-o e, assim, tornando-o uma coisa externa ao seu pregador. Ao ser tabelado, este “novo” evangelho já não faz mais parte de quem prega, e não precisa fazer parte de quem o ouve. Torna-se, assim, apenas uma mensagem de auto-ajuda, um objeto, um bibelô.

O livro de Atos, no capítulo 8, conta a história de Simão, um mágico que uniu-se à igreja primitiva. Ao ver o poder de Deus através dos apóstolos, ofereceu dinheiro para também partilhar deste poder. A resposta de Pedro (At 8.20-23), rejeitando o dinheiro e pregando o arrependimento, seria impensável na boca dos profetas de Baal de hoje. Pelo contrário, agradeceriam o “investimento no ministério”, testemunhariam no programa de TV da madrugada (reprisado no sábado de manhã) e ainda dariam um cargo eclesiástico para Simão!

Ao escrever sua 2ª carta aos irmãos da igreja de Corinto, Paulo os advertiu de uma maneira contundentemente atual: 

pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção sincera e pura a Cristo. Porque vocês suportam com alegria qualquer um que chega e anuncia um Jesus diferente daquele que nós anunciamos. E aceitam um espírito e um evangelho completamente diferentes do Espírito de Deus e do evangelho que receberam de nós. Eu não acho que tenho menos valor do que esses tais “superapóstolos”! (...) Quando anunciei a vocês a boa notícia de Deus, fiz isso completamente de graça. Eu me humilhei para engrandecer vocês. Será que houve algum mal nisso? (...) pela verdade de Cristo, a qual está em mim, eu garanto que ninguém, em nenhum lugar da Acaia, tirará de mim este orgulho de anunciar o evangelho sem cobrar nada. (...) O que estou fazendo agora vou continuar a fazer a fim de evitar que aqueles tais “apóstolos” tenham motivo para se gabar e dizer que fazem um trabalho igual ao nosso. Aqueles homens são apóstolos falsos e não verdadeiros. Eles mentem a respeito dos seus trabalhos e se disfarçam, apresentando-se como verdadeiros apóstolos de Cristo. E isso não é de se admirar, pois até Satanás pode se disfarçar e ficar parecendo um anjo de luz. Portanto, não é nada demais que os servidores dele se disfarcem, apresentando-se como pessoas que fazem o bem. Mas no fim eles receberão exatamente o que as suas ações merecem (2Co 11.1-5, 7, 10-15, NTLH).

O evangelho verdadeiro não tem preço, justamente porque foi dado por um Deus que já nos tem provido tudo. Aqueles que insistem em colocar preço no anúncio, tabelando contribuições e “investimentos ministeriais” são, conforme diz explicitamente a Bíblia, mensageiros do diabo. E aqueles que os apóiam alegremente, servindo aos seus cassinos espirituais (mesmo que tenham nome de “ministério”) e levantando imprecações contra quem defende a Verdade (ou “blogueiros do diabo”, conforme definição de um dos arautos do falso evangelho de Baal) também partilham de sua natureza maligna, necessitando urgentemente de arrependimento e conversão.

Poderia encerrar aqui pedindo para que Deus tenha misericórdia da igreja evangélica. Em vez disso, peço a Deus para que Ele salve, dentro das igrejas (evangélicas e católica), aqueles que são Seus, deixando a estrutura religiosa para trás, para servir de abrigo aos abutres e às hienas sedentas de dinheiro, glória e poder, à semelhança do pai infernal deles (Jo 8.44).


Fonte: Genizah

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