15 de dez de 2011

Somos da igreja do Papai Noel ou do Filho Emanuel?

Estava num shopping da cidade, em pleno início do mês de novembro, e uma senhora tirava a foto do seu filho - de mais ou menos cinco anos de idade - em frente a um presépio de Natal. O garoto pousava “como um rapaz”. Ao apagar do flash, “como um menino”, ele correu para o outro lado, desobedecendo a instrução da mãe, que desejava tirar mais fotos no mesmo local, e dizendo: “Eu quero tirar foto aqui”, de frente para a cadeira do “Papai Noel”. Apesar de ainda ser início de novembro o Papai Noel já chegaria em três dias, talvez face às mudanças climáticas no Pólo Norte, podemos ironizar.

Observando aquela cena, minha esposa comentou sobre o fascínio que o Papai Noel provoca durante o período de Natal, a ponto das crianças quase só valorizarem justamente o que nada tem a ver com o seu real sentido.

Mas será que essa é uma tendência apenas das crianças? Não seria também de tantos outros mais crescidinhos? E a Igreja dos dias atuais? Como tem se comportado diante do mês das compras, do décimo terceiro, da comilança e das confraternizações?

Parece que, na prática, cada vez olhamos menos para o menino da simples manjedoura e sua redentora história e talvez mais para tudo que envolve a festa do “bom velhinho” e sua grande cadeira vermelha, onde sentará apenas por alguns dias de fotos, pedidos, sorrisos e glamour.

Será que somos da igreja do Papai Noel?

Para os menos avisados, é claro que a pergunta não diz respeito ao fato de possivelmente existir algum senhor de barba branca e torcedor do Náutico de Recife ou Inter de Porto Alegre, todos os domingos na platéia da sua congregação, e que, evidentemente poderia ser o “Santa Claus”.

A grande revelação a ser descoberta certamente é bem outra. Não podemos continuar agindo como crianças que, mesmo advertidas pelos pais, correm na direção errada, envolvendo-nos com todo o glamour das festas, e esquecendo-se do essencial.

O “Papai do Céu” não é um bom velhinho que atende os nossos pedidos se nos comportarmos bem durante todo o ano. Nem muito menos é daqueles que, quando oramos, podemos inverter os papéis a ponto de Lhe falarmos: “Que Tu possas”; e, ao nos referirmos a nós mesmos, usarmos as expressões “Eu declaro!”, ou “Eu afirmo!”. Na realidade, Ele pode todas as coisas “e tudo faz como Lhe agrada”.

Devemos, sim, lembrar que somos a igreja do Filho Emanuel, que em obediência e porque foi do Seu agrado, deixou a Sua glória para estar entre nós com o propósito de Se revelar em amor, cuja história terrena passou por Belém, numa manjedoura que não era Sua, por Jerusalém, num jumento que não era Seu, pelo Monte Gólgota, numa cruz que também não era para Si, e por perto dali, num túmulo de propriedade de outro, ao morrer uma morte que era nossa, para nos dar a vida, que é Sua, e não mais nossa face - o grande abismo criado entre Deus e os homens desde a desobediência humana. E cuja mensagem foi vivida e pregada em apenas três anos, sendo pobre, sem ter sequer “onde reclinar a cabeça”, acompanhado por doze homens - na maioria incultos - quando nem existia luz elétrica, quanto mais internet, mas que nos alcançou tantos anos depois e em terras tão distantes. O “Deus conosco” (Emanuel), que após ressurreto, nos presenteou com a Sua íntima presença em nós, através do Seu Santo Espírito.

Se brincar, a Igreja - na sua infantilidade e desvio - envolvendo-se com a corrida na direção errada, pode estar mais ansiosa com suas programações natalinas, entre cantatas, jantares e congratulações, ou até mesmo com a chegada do Papai Noel, do que com o retorno daquele que voltará entronizado para reinar eternamente - evento que independe das nossas articulações - e quando todos, inclusive o “Papai Noel”, se curvarão diante d´Ele.



Fonte: Pr Augusto Guedes em Cristianismo Criativo

Via: Libertos do Opressor

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