12 de jan de 2012

Ou tudo ou nada



Por Adeildo Nascimento Filho

O juiz nazista Roland Freisler durante o julgamento de Helmut Moltke disse uma frase que ficou célebre no mundo todo. Ao comparar o nazismo com o cristianismo Roland disse: “Nós e o cristianismo só temos uma coisa em comum: exigimos a pessoa toda!”.
Olho para esta frase e tento fazer um paralelo com o cristianismo que vivemos hoje. São tantas vozes, discursos, defesas e ataques de como os cristãos devem se portar numa sociedade pós-moderna relativista e cheia de sincretismos religiosos, que me parece que Roland talvez pensaria duas vezes em pronunciá-la novamente. Por quê? Talvez Roland não encontre mais um “cristianismo” que exija a pessoa toda.
É quase chover no molhado mas é sempre bom lembrar o que significava ser cristão logo após a ressureição de Cristo. Além de exigir a pessoa toda em vida o preço mais comum a ser pago pela cristandade era encarar a própria morte, ou seja, efetivamente doar a própria vida. Particularmente se ouvisse Roland dizer isso nessa época certamente diria que ele estava forçando a barra pois não acredito que o fervor de um soldado nazista era o mesmo de um jovem cristão antes de ser devorado por leões.
Contudo, hoje em dia, as concessões feitas por cristãos pós-modernos batem de frente com a afirmação de Roland. Hoje é possível ser cristão mas viver pacificamente com ideologias que mudam radicalmente o cerne do evangelho de Cristo. É possível ser cristão e abrir concessões a ponto de pregar Jesus como sendo mais um caminho e não mais O ÚNICO caminho. É possível ser cristão e dividir sua vida em busca de “bênçãos” modernas e utilitaristas. É possível ser cristão por apenas 2 horas na semana e investir o resto do seu tempo. Afinal de contas tempo é dinheiro e dinheiro é sinal de vitória e sucesso.
O mundo evolui e junto com ele a decadência moral e espiritual do homem. Até que ponto os cristãos se manterão fiéis ao cerne do evangelho de Cristo, aquele que exige a pessoa toda, eu não sei. O que sei é que isso tudo não é novidade nem surpresa para nós.
A iniquidade se multiplicará até o ponto em que “a pessoa toda” signifique um preço muito alto. Quanto mais o tempo passar a comparação de Roland fará menos sentido para quase todos.
Ou tudo ou nada. Jesus não deixou espaço para meio termo.


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