15 de mar de 2012

Meus queridos macacos...



Por Marcelo Lemos

Felicidade nossa o dia que o macaco resolveu mudar de vida. Que seria de nós se ele não resolve descer das árvores? Imaginem o que significa ele ter decidido caminhar exclusivamente sobre os pés, reservando as mãos para feitos mais nobres? Mas nada se compara ao solene dia que ele resolveu deixar de ser macaco. Agora ele seria humano, não por alguma condição ontológica, mas por livre escolha.

Hoje em dia o macaco (e as macacas, claro!) adoram uma boa telenovela. Lá em casa, infelizmente, a cena se repete com certa frequência. Chego em casa, macaco de gravata e pasta na mão, e vejo um ou dois macacos parentes diante da telinha prateada. Um deles me diz: “Marcelo, veja como esse macaco é machista! Acredita que o atrasado largou a mulher apenas por ela ter engravidado artificialmente?”. De fato, penso com meus botões, o macaco está cada vez mais evoluído: agora não é mais um autoproclamado humano, mas passou à criador de humanos. O macaco “machista” da novela é um atrasado, realmente: ainda não entendeu que não existe algo naturalmente humana, mas humano é aquilo que os macacos decidem. Pelo menos essa é o Dogma dos Macacos!

Num futuro não muito distante, na era pós-humana que se avizinha, a questão dará saltos maiores. Já podemos escolher o sexo dos novos macaquinhos, e pouca coisa nos impede de selecionar a cor da pele, dos olhos, a textura do cabelo, a estatura e todo o resto. Além disso, os macacos já planejam unir corpo e mente as máquinas, produzindo em tudo isso, um novo salto evolutivo, dando origem a uma nova raça: os pós-humanos. 

Alguns macacos filósofos já questionam se, quando tal era chegar, haverá quem defenda os “direitos humanos”, do mesmo modo que hoje alguns defendem os “direitos dos animais”. Sim, pois, os que não puderem pagar, continuarão sendo apenas... humanos!, do mesmo modo que nossos parentes menos sortudos e menos capazes, continuarão sendo apenas... primatas!

Atentemos. Na falta de algo tão estupido como “deus”, é o próprio macaco quem dita as regras do jogo. Primeiro; humano é quem o macaco diz que é. E, de igual modo, ocorre com a vida. Uma Comissão de Macacos Tupiniquins, por exemplo, pretende aprovar norma que diz “quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente” o aborto é permitido – o mesmo valerá daqui uns dias, para aqueles macaquinhos que, depois de nascidos, se descubra que não possuem capacidade de “vida independente”. Mas, não se trata de aborto e infanticídio, afinal, lembrem-se: só é humano aquilo que os macacos decidem! Recentemente, os macacos resolveram que como um recém-nascido não tem autoconsciência, ou seja, não vê a si mesmo como humano, então, não é humano!

Dois macacos-filosofos, Alberto Giubiline e Francesca Minerva, declaram exatamente isso no “Journal of Medical Ethics”, periódico, deduz-se pelo nome, dedicado à conduta médica – ética e medicina dos macacos. Mas, os macacos progressistas daqui chegarão tão longe? Alguma dúvida? Por hora, querem decidir se macaquinhos sem “vida independente” são humanos o bastante para viver. Os Macacos do ‘nosso’ Congresso estão com os pelos ouriçados! Já encomendaram um caminhão de bananas, pois haverá plantão!

O bom nessa história de macacos, é que a mentalidade dos primatas torna a apologética cristã extremamente fácil. Apesar de macaco ter mania de ver a si mesmo como “intelectual”, “científico” e porta-voz do progresso humano, o fato é que a Macacada jamais soube produzir uma cosmovisão coerente, que não caísse de joelhos ante a regra elementar da “não contradição interna”. O problema é que muitos cristãos, obrigando seus corações mentes a viverem no “Planeta dos Macacos”, acabam complicando as coisas.

O que é “vida independente”? O que é “humano”? O que é “vida” mesma? O que é “bem”? O que é “mal”? Nenhum macaco sabe a resposta, e os humanos que sabem, continuam falando como macacos – esqueceram que um dia ‘nasceram de novo’!


Fonte: Genizah 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.