8 de jul de 2012

Relativização do pecado: um dos males da "igreja pós-moderna"


A tese "O proibido é mais gostoso" parece encontrar cada vez mais adeptos no meio cristão.


"Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? (...) Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça" (Romanos 6:1-2, 11-13). 

          Um dos cânceres que mais têm descaracterizado a Igreja nestes últimos tempos, e que demonstram o quanto estamos próximos da segunda vinda de Cristo, é a extrema permissividade que toma conta do meio cristão evangélico, tanto do histórico como do pentecostal ou neopentecostal, como uma verdadeira pandemia. Significa o seguinte: o que era pecado no tempo de nossos avós ou bisavós, hoje soa como absolutamente normal, ou seja, pode ser praticado sem o menor sentimento de culpa ou constrangimento. Afinal, "estamos na época da graça" e "o amor de Deus é tão grande" que é capaz até de "quebrar tabus ou paradigmas". Mas, afinal, que "graça" é essa que hoje torna "bom" o que antes era mau?
          Tamanho liberalismo teológico, que permite tatuagens, ingestão "moderada" de bebidas alcoólicas, relações sexuais promíscuas, baladas, um sincretismo bizarro entre o sagrado e o profano na música e até o maligno "jeitinho brasileiro" nas mais variadas situações do dia-a-dia, inclusive na política, demonstram o quanto a maioria das pessoas a nosso redor está analfabeta espiritualmente. Isso porque aqueles que estão mais familiarizados com as Escrituras - e que infelizmente diminuem a cada ano que passa - conhecem bem textos bíblicos como o seguinte: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos! Ai dos que são poderosos para beber vinho, e homens de poder para misturar bebida forte; dos que justificam ao ímpio por suborno, e aos justos negam a justiça! (Isaías 5:20-23)
          Como pudemos ver no texto bíblico que abre este artigo, a Graça de Cristo não compactua com o pecado; antes, condena-o. Embora por nós mesmos não tenhamos condições de buscarmos a santificação, pois é o Espírito Santo que nos orienta nesse objetivo, isso não deve servir como pretexto para acharmos que, por não estarmos mais debaixo do jugo da Lei, podemos fazer o que bem entendemos que Deus nos perdoará automaticamente, já que Ele é "amor" e é "obrigado" a abençoar-nos por ser "fiel a Suas promessas". Contudo, se analisarmos bem a história do povo de Israel, veremos que, juntamente com todas as promessas que os israelitas recebiam da parte do Senhor, ele também recebia repetidas advertências de patriarcas, juízes, profetas e até do próprio YHWH ("EU SOU" - Êxodo 3:14) para permanecer fiel a Deus, sob pena de sobrevir uma série de maldições sobre aquela nação. E a rebeldia de Israel contra Deus foi tão grande ao longo do período do Antigo Testamento que o Senhor, por meio de Jeremias, que amava sua pátria e proferia as palavras vindas da parte de Deus com o coração despedaçado, chegou a sentenciar:"Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Eis que virarei contra vós as armas de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejais contra o rei de babilônia, e contra os caldeus, que vos têm cercado de fora dos muros, e ajuntá-los-ei no meio desta cidade. E eu pelejarei contra vós com mão estendida e com braço forte, e com ira, e com indignação e com grande furor. E ferirei os habitantes desta cidade, assim os homens como os animais; de grande pestilência morrerão" (Jeremias 21:4-6).
          Mesmo assim, ainda existem multidões em muitas igrejas que, cegas pelo materialismo e pelo hedonismo, não somente admitem práticas pecaminosas no meio cristão como também as incentivam, apesar do apóstolo Paulo chegar a dizer, ao escrever aos cristãos de Roma, que pessoas assim seriam dignas de morte (Romanos 1:32). Vejamos, por exemplo, um caso relatado pelo Pr. Wesley Moreira na página http://www.pulpitocristao.com/2012/07/nao-julgais-se-tornou-cliche-para-censurar-a-verdade/:




 Carrie Underwood, cantora gospel estadunidense, que apóia o casamento homossexual.
O liberalismo teológico continua a se movimentar no meio cristão, buscando sempre relativizar as escrituras e mesclar a doutrina bíblica com filosofias humanas. Os discursos politicamente corretos de líderes e cristãos em evidência estão saturados de liberalismo.
O caso mais rescente foi a declaração da famosa cantora evangelica Carrie Underwood (foto) que expressou seu apoio ao casamento gay em entrevista ao jornal britânico The Independent, ao dizer que os crentes devem ser menos críticos sobre a questão.
Desde que venceu o American Idol em 2005, Underwood teve uma seqüência de sucessos, incluindo sua música “Jesus Take the Wheel”, que ganhou um Grammy. A base do argumento da popstar evangélica para apoiar o casamento gay foi, “Não cabe a mim julgar a ninguém”. Carrie também confessou frequentar uma igreja gay com seu marido.
Confusão é a palavra que melhor define a situação de parte da igreja no mundo, que como Carrie, é refém do clichê “não podemos julgar”. Me admira o fato de que esse ensino de Jesus tenha perdido seu sentido original para ser usado como propaganda anticristã homosexual.
Ao seguir o clichê “não julgueis” qualquer comunidade cristã será tentada a recuar de questões morais e doutrinarias, até chegar ao ponto onde não poderão distinguir o certo do errado. Primeiramente no comportamento e crença dos outros, e, finalmente, em suas próprias vidas. Goebbles foi sem duvida um gênio do mau.
“A propaganda deve afetar a ação e crenças do inimigo, de maneira a confundi-los e paraliza-los.” Joseph Goebbles
Os ativistas anticristãos homosexuais estão usando o próprio discurso da igreja como propaganda para seu estilo de vida. Ao recitar ‘não julgueis’ eles estão alegando, usurpando a autoridade da Bíblia, que não podemos rotular qualquer comportamento ou crença como certo ou errado. Esta atitude surgiu a partir de uma compreensão defeituosa, filosófica, carnal e demoníaca da palavra ‘julgar’ feita pelo liberalismo teologico.




          Já o presbiteriano Paulo Angelim, que é empresário do setor imobiliário e palestrante motivacional, manifesta-se a respeito deste assunto da seguinte maneira numa matéria extraída da edição 122 da revista Eclésia (fonte: http://folhagospel.com/modules/news/article.php?storyid=6968):


Muita gente fala que se deve separar a vida espiritual das chamadas atividades seculares, como o trabalho. Discordo disso. Não existe separação entre vida espiritual e secular. Estamos no mundo, embora, segundo a Escritura, não sejamos dele. O grande desafio é vivermos no mundo e não nos deixarmos contaminar por ele. Há crentes que falam em ‘1evar Deus para o ambiente profissional’. Ora, Deus deve estar em nós, nos nossos atos, nas nossas falas. É desta forma que as outras pessoas, inclusive os colegas de trabalho, vão perceber a presença do Senhor em nós e entender o que Ele é capaz de fazer em nossas vidas. Fomos chamados por Deus para o mundo, e não para as igrejas. Hoje, é moda no mundo corporativo – e muitas empresas estão investindo nisso – cultivar aspectos como o lado espiritual dos funcionários. É uma espécie de ‘sinal dos tempos’, e acho que os evangélicos deveriam aprender com isso. Em todo e qualquer lugar onde estejamos, devemos dar o correto testemunho de nossa fé.


           Não existe texto bíblico algum que apóie a relativização do pecado, seguindo o ditado maquiavélico "Os fins justificam os meios". As epístolas do Novo Testamento enfatizam bastante isso, como neste trecho: "Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus" (I Coríntios 6:10). Ora, se a Bíblia é clara ao afirmar que os efeminados não herdarão o Reino de Deus, como é que existem atualmente tantas denominações pseudocristãs, como as Igrejas Metropolitana e Contemporânea, que passam por cima das Escrituras, jogam os preceitos divinos sobre a família na lata do lixo e incentivam aquilo que já é chamado por puro eufemismo de "homoafetividade"? E noutra carta paulina: "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Romanos 6:1-2). Ou seja, não podemos aceitar práticas condenáveis apenas para lotarmos nossos templos, pois de nada adianta templos evangélicos abarrotados de gente se a grande maioria dessas pessoas estão com seus corações vazios do Espírito Santo.
          Aqueles que pregam um "evangelho light", uma espécie de (pseudo)cristianismo mais "adequado aos tempos modernos" e mais "simpático aos olhos daqueles que ainda não foram alcançados por Jesus", parecem estar mais preocupados em satisfazer suas inclinações carnais e em preservar o cordão umbilical que ainda os mantém presos ao mundo do que em buscarem uma santificação contínua e um afastamento incessante de tudo aquilo que ainda impede uma comunhão verdadeira e sincera com Deus. Jesus Cristo mesmo, em Sua oração sacerdotal, pediu ao Pai: "Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade" (João 17:14-17). Aqueles que não aceitam essa e outras provas da incompatibilidade entre a Graça e a libertinagem "confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra" (Tito 1:16).
           Portanto, não estamos sendo "amorosos" ao aprovarmos abominações em nosso meio, como se todo aquele que se manifesta contra tais abominações fosse "preconceituoso". Na verdade, estamos distorcendo a Palavra de Deus para satisfazermos os interesses mais mesquinhos, ou seja, pregando outro "evangelho". Aos cristãos da Galácia, o apóstolo Paulo foi enfático, franco e direto: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo" (Gálatas 1:6-10).
          Para terminar, permitam-me ser ousado ao pedir que ouçam a pregação abaixo. Não peço que assistam ao vídeo, pois os erros grosseiros de pronúncia e ortografia poderão desviá-los do foco principal da mensagem: Deus não é apenas AMOR, mas também é JUSTIÇA. "Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra" (Oséias 6:3).




Paulo Martins de Oliveira Belo - 08/07/2012.


Fonte: Sorokabano

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