19 de ago de 2012

O Crente Avestruz


Éramos um grupo de cinco, indo a Calçoene. Saímos três de Macapá, passamos em Ferreira Gomes onde pegamos o casal missionário, e paramos em Tartarugalzinho. Abastecemos, tomamos um café sofrível, e espairecemos um pouco. O lugar é interessante. Além do leite de búfala, há avestruzes. Êta bicho esquisito!

Comentei que Deus pôs coisas bonitas no mundo, mas também cada coisa feia! Hipopótamo, lacraia, escorpião e o avestruz. Mais de dois metros de altura, pescoço fino, enrugado, cabeça pequena com penas escassas, bico feio, e um pé pra lá de horrível. Quando se distribuiu feiura no mundo, o avestruz pulou na frente e gritou: “Eu, primeiro eu! Quero tudo!”.

Quando saíamos, um dos membros de nossa equipe me perguntou se eu conhecia o crente avestruz. E explicou: “É aquele que come de tudo, sem selecionar nada!”. Sim, conheço muitos crentes avestruzes. Assistem tudo que é programa que se diz evangélico, leem tudo que lhe cai às mãos, sem senso crítico, fazem uma salada de conceitos e depois vão regurgitar em sua igreja.

Um crente avestruz se encantou com a ideia de orar pelos anjos para fortalecê-los, com base em um sermão que torceu Daniel 10.20. Quando sua igreja não quis, ele saiu e organizou um movimento de intercessão angelical. O problema é que o regurgitamento do crente avestruz acaba saindo e cai nos demais que não querem a esquisitice de que ele se alimentou. E termina no gabinete pastoral, que recebe toda sorte de “avestruzice”. Pastor ouve cada uma!

As pessoas não querem a simplicidade do evangelho (1Co 15.1-4). Paulo já receava que os cristãos se desviassem da simplicidade que há em Cristo (2Co 11.3). Os avestruzes de hoje querem novidades e “coisas tremendas”. São fascinados pelo bizarro. Seu evangelho é mais enfeitado que jegue de cigano.

O alimento simples do evangelho tem substância, alimenta bem e dá saúde. Para que inventar? A Palavra de Deus é suficiente. É dela que devemos extrair nosso alimento. “Come este livro!” (Ez 3.1 e Ap 10.9) mostram que é do Livro que vem de Deus que devemos nos alimentar. Nada de gurus, caboclos evangélicos de reza forte, exotismos ou descobertas que nunca alguém viu em dois mil anos de cristianismo.

Não vá atrás de invenções e novidades, nem coma e beba qualquer coisa espiritual. Não seja um crente avestruz. Alimente-se sadiamente. Seja seletivo.



Fonte: Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho em seu site

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