10 de ago de 2012

Presidente cristão da Nigéria desconsidera ameaças de radicais islâmicos


Líder extremista do Boko Haram publica vídeo na internet em que intima Goodluck Jonathan a renunciar ao cargo e se converter ao islamismo. Em declaração oficial, o presidente rejeita o apelo afirmando que não cederá a tal chantagem.
O atual presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, é cristão e, por esse motivo, tem sofrido ameaças de autoridades muçulmanas no país. Em uma declaração oficial divulgada no último domingo (5), Jonathan considerou como chantagem a intimação que, supostamente, recebeu do líder do grupo extremista Boko Haram, na qual o presidente deveria renunciar ao cargo e se converter ao islamismo.
Segundo o jornalista Aminu Abubakar, da agência de notícias AFP, Abubakar Shekau utilizou-se de um vídeo postado na internet para se referir ao presidente. O repórter também afirmou que, no mesmo dia, o porta-voz de Jonathan, Reuben Abati, negou ao apelo.
“Em 2011, os nigerianos votaram e elegeram Goodluck Jonathan para presidente cientes de que ele é cristão”, afirmou Abati durante uma coletiva de imprensa. “Como autoridade máxima no país, Jonathan é líder de ambos fiéis: cristãos e muçulmanos; por isso mesmo, o pedido à conversão ao islamismo equivale puramente a chantagem”, acrescentou.
Abati disse ainda que “o presidente não deveria ser intimidado por nenhum indivíduo ou grupo. Ele nunca irá renunciar ao cargo; não há possibilidade alguma de Goodluck Jonathan ceder a essa chantagem”. 
No vídeo, que foi publicado no sábado anterior (4), Shekau declarou: “Você deveria deixar o poder, se arrepender e abandonar o cristianismo”, mostrando claramente sua intolerância à religião cristã praticada por Jonathan.
Segundo a reportagem de Abati, indícios não revelam exatamente a data de gravação e postagem do vídeo no Youtube, que tem 38 minutos de duração. Declarações apresentam ainda que “embora a autoria da filmagem não possa ser verificada de forma independente, o trabalho é semelhante aos vídeos anteriores de Shekau".
Os radicais do Boko Haram já realizaram dezenas de ataques na Nigéria, que provocaram centenas de mortes como resultado de uma insurgência cada vez mais extremista e violenta.
Informações da AFP destacam ainda que “membros do Boko Haram receberam treinamento da Al-Qaeda em Magreb, no norte de Mali e que países ocidentais têm observado de perto sinais de uma maior cooperação entre os revolucionários”.
Ataques recentes
O último ataque contra cristãos nigerianos aconteceu na segunda-feira (6), quando um grupo de pistoleiros, supostamente do Boko Haram, invadiu a igreja evangélica 'Deeper Life Bible Church', em Kogi, região central do país. Radicais entraram no momento em que estava sendo realizado um culto de adoração a Deus e, ao dispararem com fuzis Kalashnikov, mataram, pelo menos, 19 pessoas.
O grupo extremista, que desde o começo do ano vem atacando igrejas ao norte da Nigéria, dessa vez direcionou o alvo para os cristãos que moram ao sul do país.
Boko Haram, na língua Hausa, falada no norte da Nigéria, significa "educação não muçulmana é pecado". O grupo é formado por um grande número de facções com objetivos diferentes. Seu líder, Shekau, luta para impor a lei islâmica (sharia) em todo o país.
Leia “Ataque a igreja na Nigéria deixa ao menos 19 mortos” e entenda sobre os levantes que têm aumentado cada vez mais no país. 
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FonteAssist News
TraduçãoAna Luíza Vastag

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