26 de nov de 2013

"Não critiqueis o Marco Feliciano"

#Medo
Por Gutierres Fernandes Siqueira
Eu não sabia, mas Deus desceu do céu para nos dar o décimo primeiro mandamento: "Não critiqueis o Marco Feliciano"! Esse mandamento, se não for cabalmente cumprido, será punido por pragas piores do aquelas no Egito, ou seja, a praga da militância feliciana. É anátema quem ousa contestar o grande ungido de Deus, o messias da família tradicional e do conservadorismo moral. Aquele que nos salvará dos gays comunistas. Sob proteção dos orixás, é claro! Hosana!
Assim, apontar o caminhão de equívocos do Feliciano só poder ser coisa de um agente secreto da causa gayzista e da mídia secularista. E, por que não dizer, do próprio Satã. No mundo dualista não há campos em cinza.
Os apologistas do Marco Feliciano, assim como os defensores de outros descalabros, sempre criticam a crítica e dizem que devemos apenas orar. Oh, que gente piedosa. Estou comovido com tanta espiritualidade!  Onde está escrito isso nas Sagradas Escrituras? É verdade que devemos orar por todos os homens, bem que para alguns a Bíblia diz que a oração nem adianta (cf. I Jo 5.16), mas por acaso os profetas, os apóstolos e o próprio Cristo ficaram constrangidos para não analisar- especialmente-  aqueles se dizem ministros do Evangelho? E por que os críticos da minha crítica não aplicam a própria receita e simplesmente intercedem por mim? Por que me criticam se são contra a crítica? A lógica já morreu?
Falam em um grande trabalho na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados. Como assim? Talvez seja a negociata com o governo central para assumir um posto em troca de apoio ao desgoverno Dilma Rousseff. Parabéns aos moralistas da família que sustentam o partido defensor, em seu programa e prática, de uma avançada liberalização dos costumes. Sim, os deputados da base de apoio da presidente são fantásticos, pois defendem uma bandeira moral e esquecem da ética no balcão de negócios dos partidos com o governo. Já esqueceram a Máfia das Sanguessugas há uma década? E envolvidos na contratação de pastores como assessores parlamentares que nunca batiam ponto em Brasília? Ah, mas é legal! Sim, é moral?
A minha crítica é superficial para outros. Isso é verdade, pois não é necessário uma tese de doutorado para rebater os pensamentos bizarros do Marco Feliciano.  Basta um tweet ou talvez um breve post no Facebook.  Ele é a própria encarnação do conservador caricato e envolvido em política. É o nosso Pat Robertson. É o teólogo com diploma de mestrado por correspondência! Onde já se viu? Aquele que critica a tradução de João Ferreira de Almeida porque era “um padre [ele nunca foi padre] que traduziu a Bíblia a partir do inglês” [outra bobagem facilmente rebatida até por leitores da Wikipédia] ou ainda aquele para quem Deus o deve por seus méritos, pois "quem aqui ora é o Marco Feliciano". E o Quico? Há quem deseje a presidência do país para o mesmo. Que o Senhor tenha misericórdia.
Outros dizem que o Feliciano representa a Igreja Evangélica Brasileira. Quem deu a ele a procuração?  Por acaso a própria natureza do protestantismo não demanda uma quebra de qualquer hierarquia centralizada?  Bom, para quem sempre se julga grande e se adjetiva como aquele a quem Deus deve respostas, não é difícil imaginar que o mesmo realmente ache que represente uma classe tão heterogênea. É verdade que ele representa parte da Igreja Evangélica, especialmente aquela que falta na Escola Dominical.

Bom, quando escrevi que os evangélicos perderam o senso do ridículo, não sabia que os comentários do post seriam a comprovação da tese. 
 

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