3 de jul de 2014

Por que a “Música Pentecostal” é tão pobre?

Só a misericórdia divina!
Por Gutierres Fernandes Siqueira


O estilo é a “maneira de exprimir-se, utilizando palavras, expressões, jargões, construções sintáticas que identificam e caracterizam o feitio de determinados grupos, classes ou profissões”, como define o dicionário. Sempre que eu falo em “Música Pentecostal” não estou falando de uma música produzida por compositores pentecostais, mas sim de um estilo musical evangélico e brasileiro especialmente popular em igrejas pentecostais clássicas. É, por exemplo, algo diferente (não há como comparar a outro estilo), inovador (não havia nada parecido antes) e muito ruim (muito ruim, mesmo) como o estilo paraense Calypso ou o Sertanejo Universitário de Goiás. As principais expoentes desse estilo "pentecostal" são Shirley Carvalhaes, Rosi Nascimento, Damares, Elaine de Jesus, Mara Lima, Cassiane, Rayssa e Ravel, Bruna Carla etc.

Bom, nesse texto eu poderia falar de inúmeros erros doutrinários, teológicos e bíblicos presentes nas “músicas pentecostais” expressas por essas e outras cantoras. Mas disso já falei demais no blog. O que quero destacar é a pobreza das músicas. Sim, muitas vezes a música é até correta biblicamente, mas pobre musicalmente e em poesia. Ou seja, em nada lembram os famosos Salmos da Bíblia e as canções clássicas da cristandade como Aleluia de Handel

Quer um exemplo? Veja a primeira estrofe da música “Movimento de Deus” da Shirley Carvalhaes:


Deus vai fazer um movimento aqui, um movimento aqui vai fazer; já posso ver pelos olhos da fé, já posso ver. Deus vai fazer um movimento aqui, um movimento aqui. Vai fazer. Já posso ver pelos olhos da fé; já posso ver. Vai descer poder, vai descer renovo, vai ter milagre, vai ter batismo, Ele vai curar e vai entregar a vitória em suas mãos. É só confiar e glorificar e deixar o fogo queimar o altar porque hoje aqui o Senhor vai operar.


Meu Deus, o que é isso? Qualquer criança poderia escrever essa letra. 
É musicalmente ruim, a letra expressa repetições descabidas e em ritmo frenético. O fôlego se vai porque a ênfase é no êxtase. Além disso, o português é constantemente maltratado. É uma música irritante pela baixa qualidade. Agora, compare a música da Shirley com um hino clássico da Harpa Cristã. O hino é “Ó Desce Fogo Santo”.

Espírito, alma e corpo, Oferto a Ti, Senhor, Como hóstia verdadeira, Em oblação de amor. Eu tudo a Deus consagro Em Cristo, o vivo altar; Ó desce, fogo santo, Do céu vem tu selar!


Veja que no fundo as duas músicas expressam a mesma ideia (o poder de Deus manifesto no homem), mas o segundo hino é infinitamente melhor, pois nele há poesia, é bem escrito, respeita a língua pátria, não trabalha com repetições irritantes e nem prima por uma teologia água com açúcar. Quando perdemos a mão para produzir belezas como essa e agora ouvimos tristezas como aquela?

É disso que falo. A “Música Pentecostal” é muito ruim, muito pobre. Em compensação, nós podemos aproveitar a riqueza da Harpa Cristã. O nosso hinário é um oásis em meio a tanta música superficial. Os compositores da atualidade, especialmente aqueles que compõem músicas rasas, poderiam resgatar o sentido dos hinários para produzir boa música na atualidade. O tempo de cantar chegou, sim, o tempo de cantar boa música. 

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