14 de out de 2014

A confissão pública de pecados: mais uma influência do catolicismo sobre a prática assembleiana!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Antigamente na Igreja Evangélica Assembleia de Deus havia o costume de estimular a confissão do pecado individual diante da congregação, especialmente antes da Ceia do Senhor. Outros faziam o confissão diante do pastor que informava à igreja local sobre a contrição do “pecador arrependido”. Essa prática tem a influência direta da doutrina da Confissão Auricular, uma das práticas tradicionais da Igreja Católica que violam a doutrina bíblica do sacerdócio universal de todos os crentes. Alguns leitores informam que, infelizmente, essa prática ainda existe em algumas congregações das Assembleias de Deus. O leitor Célio Castro, por exemplo, relata que em alguns casos a confissão do pecado diante de um corpo de obreiros e a consequente disciplina era matéria de ata formalizada diante da congregação.

Bom, essa tradição é terrivelmente antibíblica. A confissão pública nunca é estimulada nas Escrituras. Quando Tiago [5.16] fala em “confessem os seus pecados uns aos outros” é subtendido que não há hierarquização, ou seja, não é a confissão de um “pecador” para com o “santo sacerdote” ou a uma “santa congregação”. Quando o pecado envolve ofensa ao outro é óbvio que o ofensor deve pedir perdão ao ofendido, mas tal fato não precisa ser feito de espetáculo para o público da congregação. É certo que a congregação também pode ser vítima de um escândalo público de um membro e, igualmente, esse membro deve perdão à congregação. Como escreveu Curtis Vaughan: “A confissão é o vômito da alma e pode, quando realizada de modo muito geral ou indiscriminado, fazer mais mal do que bem”. A discrição é recomendada pelo próprio Cristo e somente em casos de resistência e teimosia a decisão deve ser submetida à igreja para disciplina pública (Mateus 18. 15-17). Esse era o caso em Corinto, onde um jovem estava envolvido sexualmente com a própria madrasta e a congregação tolerava essa comportamento sem aplicada a devida disciplina (cf. 1 Coríntios 5.3 ss; 2 Coríntios 2.6 ss).

Portanto, o arrependimento diante de Deus redime o nosso pecado (Salmo 32.3-6; 1 João 1.9). O perdão não é dependente do sacerdote ou da congregação. A disciplina é necessária, mas a excomunhão só se aplica a quem se desligou da própria Igreja pela permanência teimosa no pecado. A confissão está para nós como um desabafo diante de Deus das nossas próprias misérias. “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Salmo 32.5).

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