16 de jan de 2015

Papa Francisco: uma afirmação infeliz e duas felizes

Muitos líderes evangélicos admiram o papa Francisco. E alguns o consideram, inclusive, um referencial para os ministros evangélicos. Quanto a mim, sinceramente, admiro mais o papa emérito Bento XVI do que o atual. Penso que o primeiro era mais sincero que político, enquanto o segundo é mais político que sincero. Ou seja, ao que me parece, Francisco tem procurado agradar a todos. E, com isso, acaba relativizando algumas verdades fundamentais do cristianismo, sugerindo, por exemplo, que a homossexualidade não é um pecado, que o aborto não é tão grave, etc.

Reinaldo Azevedo — jornalista católico que muito admiro, colunista da Veja e da rádio Jovem Pan —, inclusive, criticou uma recente entrevista do papa Francisco em que ele diz que agridiria seu amigo caso ele xingasse a sua mãe. Essa afirmação realmente foi infeliz, pois, ao responder sobre o terrorismo islâmico, o papa, de algum modo, deu razão aos fundamentalistas muçulmanos que se acharam no direito de matar cartunistas franceses que zombaram do profeta Mohamed.

Entretanto, mesmo na tentativa de agradar a todos — o que é, repito, uma característica do político papa Francisco —, ele fez, na mesma entrevista, outras duas afirmações que considero equilibradas. A primeira foi esta: “Matar em nome de Deus é uma aberração”. Ao andar na terra, Jesus, o Mestre dos mestres, afirmou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo” (Lc 9.23). Ele, aliás, nunca disse aos seus discípulos que eles deveriam matar os infiéis, rebeldes, zombeteiros. Pelo contrário, ensinou seus servos a amarem os seus inimigos (Mt 5.38-48). A segunda afirmação equilibrada do papa a que me refiro foi esta: “Não se pode insultar a fé do outro”. Vejo nesta, também, sintonia com o equilíbrio esposado nas Escrituras. Estas, por exemplo, embora asseverem que os filhos devem honrar seus pais, alertam: “pais, não provoqueis à ira a vossos filhos” (Ef 6.1-4).

Recorrendo ao paralelismo de ideias, penso que o papa Francisco mostrou equilíbrio ao discorrer sobre liberdade de expressão. Ele disse, em outras palavras, o seguinte: apesar de os religiosos não terem o direito de matar pessoas com base na sua religião, os não-religiosos ou pessoas pertencentes a outras religiões jamais devem aviltar a fé de outrem. Segue-se que criticar uma religião é uma coisa; ridicularizar uma religião é outra, bem diferente.

No Brasil, há muitos humoristas sem graça, na minha opinião, e pretensos ativistas de direitos humanos ateus e agnósticos que zombam — de modo blasfemo — de Jesus Cristo e dos símbolos do cristianismo. Eles têm todo o direito de fazer isso com base na liberdade de expressão, mas deveriam ter bom senso e pensar duas vezes antes de insultar a fé do outro.

Diante do exposto, é evidente que o cristão, ao pregar o Evangelho, também deve respeitar todas as pessoas religiosas e não-religiosas. Pregar não é atacar a fé alheia, ainda que algumas pessoas se ofendam gratuitamente por causa do Evangelho — veja o caso de Estêvão: ele não foi desrespeitoso e, mesmo assim, foi apedrejado (At 7.2ss). A recomendação da Palavra do Senhor é a seguinte: “estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15).

Ciro Sanches Zibordi

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